Amr Dalsh/Reuters
Amr Dalsh/Reuters

Egípcios seguem no centro do Cairo mesmo com presença do Exército

Centenas de pessoas permanecem nos arredores da praça Tahrir; tanques fazem segurança da sede do governante Partido Nacional Democrático

Efe,

29 de janeiro de 2011 | 04h57

CAIRO - Centenas de egípcios continuam no centro do Cairo, especialmente na praça Tahrir, tomada pelo Exército depois dos violentos distúrbios desta sexta-feira, 28, que levaram o presidente Hosni Mubarak a decretar toque de recolher e anunciar a demissão de ministros.

Veja também:

linkRepressão a protestos no Egito deixa 29 mortos; Mubarak dissolve gabinete

especialInfográfico:  A revolução que abalou o mundo árabe

mais imagens Fotos: Os protestos no Egito e na Tunísia

blog Tempo Real:  Chacra acompanha a situação no Egito

blog  Análise: Gabeira fala do papel da TV nos tempos da web

Em um percurso realizado pelo centro da capital egípcia, foi possível constatar que o ambiente era tranquilo no começo da manhã deste sábado, 29, e que o Exército estava distribuído por pontos-chave da cidade. Já a presença da Polícia não era notada.

Os tanques das Forças Armadas continuavam na praça Tahrir, nos arredores do Museu Egípcio, e mantinham interrompida a avenida paralela ao Nilo à altura da sede do governante Partido Nacional Democrático, onde continuava o incêndio que teve início na noite de sexta-feira.

O Exército também mantinha uma forte vigilância no edifício da emissora de televisão pública egípcia, que manifestantes tentaram invadir sem sucesso na sexta-feira.

Na praça Tahrir (Libertação, em árabe), epicentro dos protestos dos últimos dias, centenas de pessoas, em sua maioria homens jovens, seguiam presentes após uma noite acordadas e dialogavam com os soldados.

Na noite de sexta, depois que Mubarak ordenou que o Exército apoiasse a Polícia para garantir a segurança, os militares foram aclamados pelos milhares de egípcios que continuavam na rua apesar do toque de recolher.

O centro do Cairo amanheceu neste sábado com claros sinais dos distúrbios da véspera, que terminaram, apenas na capital, com o saldo de 20 mortos.

Na praça Abdel Menem Riad, onde na sexta-feira morreram quatro pessoas, dois micro-ônibus e uma caminhonete da Polícia estavam carbonizados.

Também nos arredores do Museu Egípcio, que conserva as relíquias arqueológicas mais importantes do país, e na avenida Ramsés, pelo menos meia dúzia de veículos, um tanque e uma viatura policial estavam queimados.

Outras zonas da cidade também mostravam sinais da violência, dos saques e dos incêndios da noite de ontem, como a avenida Al Haram, que leva às pirâmides de Giza e que amanheceu cercada por militares e grupos de jovens.

Entre os estabelecimentos saqueados estão os cassinos Al Lail e El Andalus e o hotel Europa, enquanto uma delegacia restaurada recentemente havia sido incendiada.

Além disso, centenas de pessoas aguardavam pelos meios de transporte público diante da falta de ônibus.

Na praça de Giza, a principal dessa região, podia ser vista uma fila de oito caminhões das forças antidistúrbio incendiados.

Por outra parte, pelo segundo dia seguido continuava bloqueado o acesso à internet dos principais provedores, enquanto a telefonia celular está fora de serviço.

Este bloqueio, que evitou que o povo saísse às ruas ainda em maior número, foi adotado na sexta-feira, antes dos maciços protestos políticos contra o regime de Mubarak.

O presidente egípcio anunciou na madrugada deste sábado que designará um novo Governo, a única solução política que propôs para superar a crise.

Tudo o que sabemos sobre:
Egitoprotestos no Egitointernacional

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.