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Egípcios vão às urnas e devem eleger Sisi

Três anos após queda de Mubarak, eleição deve consolidar retorno dos militares à presidência do país

O Estado de S. Paulo,

26 Maio 2014 | 09h47

CAIRO - Os eleitores egípcios depositaram seus votos nesta segunda-feira em uma eleição na qual o chefe do Exército, Abdel Fatah al-Sisi, deve ser eleito presidente. Três anos após o histórico levante contra o presidente Hosni Mubarak, as eleições devem restaurar um padrão de governo liderado pelos militares no Egito, após Sisi ter deposto o primeiro presidente livremente eleito do país, Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana.

Eleitores fizeram fila para depositar seus votos em colégios eleitorais protegidos por soldados e homens armados com fuzis de assalto. Sisi enfrenta apenas um adversário nessas eleições, o político de esquerda Hamdeen Sabahi.

"Vemos Sisi como um homem de verdade. O Egito gosta de homens fortes", disse o eleitor Saber Habib, de 64 anos, na fila para depositar seu voto, em Suez, leste do Cairo. “Queremos que o país siga adiante e que as pessoas tenham comida”, disse Habib, um construtor.

Amplamente considerado como o líder de facto do Egito desde que depôs Morsi após uma onda de protestos, Sisi, de 59 anos, enfrenta desafios que incluem uma economia em crise e uma campanha de violência de militantes islâmicos que tem crescido desde a saída forçada de Morsi.

Para os islamistas, Sisi é o responsável por um sangrento golpe que levou a uma operação de segurança que matou centenas de apoiadores de Morsi e colocou outros milhares na cadeia. Dissidentes seculares que lideraram o levante de 2011 contra Mubarak também foram aprisionados.

A Irmandade e seus aliados pediram um boicote, declarando a votação como “eleições da presidência de sangue”. Já o governo diz que a Irmandade é uma organização terrorista.

“Hoje os egípcios vão escrever sua história”, disse Sisi, esperando que um consistente resultado lhe garanta um forte mandato.

Essa eleição é a sétima votação ou referendo desde as revoltas de 2011 que levantaram as esperanças de democracia. Mas, depois de três anos, com a democracia vista como um experimento fracassado, muitos egípcios dizem que a estabilidade deve vir em primeiro lugar. 

Monitores da União Europeia e da Democracia Internacional, entidade financiada pelos Estados Unidos, estão observando as votações, e mais de 400 mil membros das forças de segurança foram colocados nas ruas para proteger os colégios eleitorais no país. / REUTERS

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