Egípcios vão às urnas em referendo constitucional

O egípcios formaram longas filas nesta terça-feira do lado de fora das seções eleitorais em todo o país, para referendar uma nova ConstituIção que representa um marco no projeto dos militares para o país, colocado em prática após a derrubada do presidente islamita Mohammed Morsi, em julho. Um homem de 25 anos morreu durante protesto contra o referendo na província de Bani Suef, ao sul do Cairo.

Agência Estado

14 de janeiro de 2014 | 10h17

A votação representa um grande golpe para a campanha da Irmandade Muçulmana pelo retorno de Morsi e abre caminho para uma possível corrida presidencial liderada pelo principal general do país, Abdel-Fattah el-Sissi.

Uma enorme operação de segurança foi colocada em ação para proteger as seções eleitorais e eleitores contra possíveis ataques de militantes ligados a Morsi durante a votação, que acontece nesta terça e na quarta-feira. Cento e sessenta mil soldados e mais de 200 mil policiais foram enviados para todos os cantos do país, que tem 90 milhões de habitantes.

Carros não podem estacionar o passar pelas seções eleitorais e mulheres foram revistadas por policiais femininas. Helicópteros militares sobrevoavam o Cairo e outras grandes cidades.

Nos dias anteriores ao pleito, o Egito parecia mais um país que estava indo para a guerra do que se preparando para uma suposta transição para um governo democrático.

O referendo é a sexta votação nacional desde que Hosni Mubarak foi derrubado por um levante popular, durante a Primavera Árabe, em 2011. Os outros cinco pleitos foram provavelmente os mais livres já ocorridos no Egito.

Embora a atual votação não deva registrar fraudes, ela acontece num período no qual muitas das liberdades conquistadas pelo levante que derrubou Mubarak desapareceram.

Pouco antes da abertura das urnas, às 9h, um artefato explosivo foi detonado do lado de fora de um tribunal no Cairo, no bairro densamente povoado de Imbala. A explosão danificou a frente do prédio e quebrou algumas janelas de prédios próximos, mas não houve feridos.

Longas filas de eleitores começaram a se formar cerca de duas antes da abertura das urnas em alguns bairros do Cairo. Mulheres e idosos eram boa parte dos eleitores.

Apenas pequenas manifestações de apoio a Morsi foram registradas em diferentes partes do país e atraíram apenas algumas dezenas de pessoas. Em Bani Suef, um manifestante de 25 anos morreu após ser atingido por disparos quando ele e cerca de outras 100 pessoas tentaram invadir uma seção eleitoral. Associated Press.

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