Egípcios votam mudanças constitucionais em referendo

Se aprovadas, as alterações na Carta podem apressar as eleições parlamentares e para presidente

AP, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2011 | 00h00

Os egípcios enfrentaram ontem filas de até duas horas para votar no referendo sobre a reforma constitucional do país. Apesar disso, o clima era de tranquilidade no Cairo. Policiais, militares e jovens voluntários ajudavam a organizar as seções.

Convocado há apenas duas semanas, o referendo pede aos eleitores que votem a favor da mudança de sete artigos da Constituição e pela retirada de um oitavo, para modificar, entre outras coisas, a duração do mandato do chefe de Estado e os requisitos que os candidatos a presidente devem cumprir.

Esta é a primeira votação no Egito desde o fim do regime de Hosni Mubarak, que se manteve no poder por quase 30 anos e foi derrubado em 11 de fevereiro, depois de uma revolta popular de grandes proporções iniciada em 25 de janeiro. O resultado vai determinar a rapidez com que o país poderá convocar as próximas eleições.

As emendas foram redigidas por um comitê judicial designado pelas forças militares que tomaram o poder no mês passado. O texto abre o caminho para eleições legislativas e presidenciais que permitam ao Exército entregar o poder a um governo civil eleito democraticamente.

"Ainda é cedo para determinar o tamanho da participação dos eleitores, mas já está claro que será algo sem precedentes", disse o ativista Ahmed Samih, da Coligação Egípcia para a Supervisão Eleitoral, ainda durante a votação. Espera-se que o resultado saia hoje à noite ou, no mais tardar, na segunda de manhã.

"O país é finalmente nosso e nunca mais o deixaremos escapar", disse o eleitor Om Sayed, de 65 anos.

O secretário geral da Liga Árabe, Amro Musa, que já se apresentou como futuro candidato à presidência, qualificou o referendo de ontem como "um verdadeiro exercício de democracia". "Estou feliz pela grande participação dos eleitores", disse.

Musa é um dos políticos egípcios que são contrários ao novo texto. Para ele, melhor seria redigir uma Constituição completamente nova, que substitua a atual, elaborada em 1971. O texto original já passou por diversas emendas desde então.

O líder árabe também se posiciona a favor de que as eleições parlamentares ocorram antes que as presidenciais. Assim, os novos congressistas poderiam redigir uma nova Carta.

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