Egito acusa jornalistas da Al-Jazeera de associação ao terrorismo

Esta é a primeira vez que autoridades levam jornalistas a julgamento sob esse tipo de acusação

O Estado de S. Paulo,

29 de janeiro de 2014 | 18h28

CAIRO - O Egito informou nesta quarta-feira, 29, que 20 jornalistas - quatro estrangeiros - que trabalham para a TV Al-Jazeera serão julgados sob a acusação de associar-se a grupos terroristas e de ameaçar a segurança nacional. A decisão fez crescer no país o temor de cerceamento à liberdade de imprensa.

É a primeira vez que autoridades levam jornalistas a julgamento sob esse tipo de acusação, em um sinal de que o governo interino egípcio está expandindo o uso da mão de ferro aplicada contra a Irmandade Muçulmana desde o golpe contra o presidente islamita Mohamed Morsi, em 3 de julho.

A data do julgamento não foi divulgada, assim como a lista completa com os nomes dos acusados e seus crimes. Mas entre eles estariam três homens que trabalham para o serviço em inglês da Al-Jazeera: o chefe da sucursal do Cairo, Mohamed Fahmy, um egípcio-canadense, o correspondente Peter Greste, da Austrália, e o produtor egípcio Baher Mohamed. Os três foram presos em 29 de dezembro, nos quartos de hotéis onde estavam hospedados e trabalhavam.

As acusações são baseadas na lei que designou a Irmandade Muçulmana uma "organização terrorista". Autoridades já haviam descrito a rede Al-Jazeera, com sede no Qatar, com tendência pró-Morsi e Irmandade. Apesar de jornalistas já terem sido presos antes, levar os casos a julgamento é sem precedente no país. A TV negou todas as acusações e pediu a imediata soltura de seus funcionários.

A procuradoria disse que os 16 egípcios são acusados de associar-se a um grupo terrorista e os quatro estrangeiros - um australiano, um holandês e dois britânicos - de ajudar a disseminar "notícias falsas" para "ajudar os terroristas". Se condenados, eles podem pegar penas que vão de 3 a 15 anos. Todos foram acusados de fundar uma rede midiática utilizando duas suítes luxuosas de hotel como centro de trabalho.

O comunicado divulgado nesta quarta acusa os jornalistas de "manipular imagens" para criar "cenas irreais e dar a impressão ao mundo de que uma guerra civil ameaçava derrubar o governo". Segundo as autoridades, eles transmitiram cenas que ajudaram "o grupo terrorista a alcançar seus objetivos e influenciar a opinião pública".

O texto afirma que Fahmy seria integrante da Irmandade Muçulmana e liderou a rede midiática para "fabricar as sequências e as transmitiu com o objetivo de prejudicar a reputação do Egito. Vários equipamentos foram confiscados./AP

 
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