Egito acusa Morsi de vazar segredos de Estado ao Catar

Presidente deposto pode ser condenado à morte por colocar em risco a segurança nacional, disseram fontes de Segurança

O Estado de S. Paulo

06 de setembro de 2014 | 16h17

CAIRO - O Egito acusou o presidente deposto Mohamed Morsi e outras nove pessoas neste sábado, 6, por colocar em risco a segurança nacional ao vazar segredos de Estado e documentos sensíveis ao Catar, aprofundando a repressão estatal à Irmandade Muçulmana, banida do país.

As relações entre o Catar, país do Golfo Árabe, e o Egito têm esfriado desde julho de 2013, quando o então chefe do Exército egípcio Abdel Fattah al-Sisi derrubou Morsi após protestos contra seu mandato.

O Catar apoiou Morsi, que está preso com centenas de membros da Irmandade, dos quais muitos receberam sentença de morte em acusações separadas.

Fontes de segurança disseram no mês passado que o Egito estava investigando a conexão do líder da Irmandade Muçulmana com documentos vazados ao Catar e ao canal de notícias Al Jazeera.

A promotoria pública do Egito disse neste sábado que a sua investigação secreta revelou evidências suficientes de espionagem para acusar Morsi e outros nove num tribunal criminal. A pena máxima em caso de condenação é a morte.

"Os inquéritos expõem fatos humilhantes e a extensão da maior conspiração e traição realizada pela organização terrorista Irmandade contra a nação através de uma rede de espiões", disse em comunicado de três páginas.

Jornalistas. Em junho, três jornalistas da TV Al Jazeera do Catar foram julgados à revelia e condenados no Egito a penas de sete a dez anos.

Eles produziam conteúdo em inglês para o canal de notícias quando foram detidos e foram acusados de colaborar com a Irmandade Muçulmana, considerada uma "organização terrorista" e disseminar "mentiras".

O australiano Peter Greste, correspondente da Al Jazeera no Quênia (que já havia trabalhado para CNN, Reuters e BBC), e o egípcio-canadense Mohamed Fahmy estão entre os detidos. / REUTERS

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