Egito barra fundamentalistas islâmicos de criar partido político

Grupo que já conduziu insurgência contra o governo propõe a implementação da sharia no país

Associated Press

19 Setembro 2011 | 18h20

CAIRO - As autoridades eleitorais do Egito barraram a formação de um novo partido político islâmico de linha conservadora nesta segunda-feira, 19, sob argumentos de que o grupo já promoveu sangrentos atos de insurgência contra o governo nos anos 1990.

 

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O Comitê de Assuntos de Partidos Políticos rejeitou o pedido do al-Gamaa al-Islamiyya de se tornar uma legenda porque as propostas do futuro partido seriam baseadas em "princípios religiosos que violariam as leis", informou a agência estatal egípcia Mena.

 

Outro argumento do comitê é a rejeição pelo que chama de estrita interpretação e implementação da lei islâmica, a sharia, sob a qual há severas punições como a decapitação para assassinos.

 

O al-Gamaa al-Islamiyya já foi o maior grupo militante do Egito e conduziu uma insurreição contra o governo, mas renunciou à violência há mais de uma década. O líder do grupo, Abdel-Akher Hamad, que passou anos exilado na Alemanha, disse que seu grupo pede a implementação da Sharia assim como a Constituição egípcia, que tem os parâmetros do Islã como sua principal base. "A decisão é injustificável. Estamos chocados", protestou.

 

Desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak, em fevereiro deste ano, os militares que governas provisoriamente o Egito aliviaram as condições para a formação de partidos políticos. As novas normas dão aos cidadãos o direito de criar legendas ao notificar os comitês judiciais. Caso o órgão não tenha objeções, o partido é criado 30 dias depois. É banida, porém, a existência de grupos discriminatórios ou com bases religiosas.

 

A Irmandade Muçulmana, o maior e mais influente grupo islâmico do Egito, anunciou a formação do Partido da Liberdade e da Justiça. Os ultraconservadores salafistas formaram o Partido da Luz. Ambos os grupos margearam os preceitos islâmicos em seus programas.

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