Egito começa contagem de votos em eleição presidencial

Horário de votação foi estendido em duas horas; comparecimento pode ter sido menor do que no primeiro turno.

BBC Brasil, BBC

17 de junho de 2012 | 18h30

Os votos da primeira eleição presidencial livre do Egito começaram a ser apurados na noite deste domingo.

O horário de votação neste segundo dia foi estendido em duas horas além do previsto e ainda não se sabe quando os primeiros resultados serão divulgados.

O comparecimento dos eleitores parece ter sido menor quando comparado ao primeiro turno e as estimativas afirmam que apenas 40% foram às urnas.

Os egípcio podiam escolher entre Ahmed Shafiq, o ex-primeiro-ministro de Hosni Mubarak, e Mohammed Mursi, líder da Irmandade Muçulmana.

Segundo o correspondente da BBC no Egito Jon Leyne houve menos entusiasmo dos eleitores neste segundo turno do que nas outras votações realizadas no Egito desde a queda do líder Hosni Mubarak.

Alguns até convocaram um boicote à votação e houve acusações de cédulas alteradas.

Muitos eleitores se mostraram céticos neste segundo turno.

"Boicotar as eleições não é uma solução prática, pois, neste momento, um dos dois candidatos vai vencer de qualquer jeito", disse o eleitor Saber Abdullah, de Alexandria, à BBC.

"Quero que o próximo presidente se concentre em ajudar a juventude, pois o velho regime os ignorou até que eles chegaram ao fundo do poço", acrescentou.

Primeiro turno

Mohammed Mursi foi o candidato mais votado no primeiro turno, tendo conquistado 24,8% dos votos, contra 23,7% dados a Ahmed Shafiq.

Um total de 52 milhões de eleitores estavam aptos a votar, mas o índice de comparecimento às urnas foi de apenas 46%.

A campanha de Ahmed Shafiq se concentrou na promessa de volta à estabilidade, que muitos aprovam depois de meses de tumultos no país. Mas, para os críticos, Shafiq é um símbolo do regime de Hosni Mubarak.

Já Mohammed Mursi se apresentou como um revolucionário e participante do movimento que derrubou Mubarak. Ele prometeu reformas políticas e econômicas no país e suavizou o lado religioso de sua campanha em uma tentativa de atrair o voto dos liberais e das minorias.

A segurança para a votação foi reforçada e um total de 400 mil soldados e policiais foram mobilizados nas ruas do país.

A divulgação oficial dos resultados pela Comissão Eleitoral Presidencial deve ser feita no dia 21 de junho, mas os resultados da votação devem começar a ser divulgados antes desta data.

O Supremo Conselho das Forças Armadas, que assumiu o controle do país após Mubarak ter deixado a presidência, se comprometeu a entregar o posto ao vencedor até o dia 30 de junho.

Eleição inválida

O entusiasmo em torno do pleito foi abalado por uma decisão da Suprema Corte do Egito divulgada na quinta-feira que invalidou a primeira eleição parlamentar livre no país em mais de seis décadas. Os juízes da Suprema Corte foram todos indicados por Mubarak durante o regime do ex-líder.

De acordo com a corte, o pleito parlamentar, realizado em duas fases, em novembro de 2011 e em fevereiro deste ano, teria sido inconstitucional porque representantes de partidos puderam competir por assentos no Parlamento destinados a candidatos independentes.

Representantes da oposição no Egito afirmaram que a decisão da Suprema Corte representa um golpe. A Irmandade Muçulmana afirmou que a medida foi um golpe contra a democracia e pediu que os egípcios protejam a revolução.

A eleição parlamentar teve como grandes vencedores os partidos islâmicos. O Partido Justiça e Liberdade, ligado à Irmandade Muçulmana, de Mohamed Mursi, foi o grande vencedor, tendo conquistado 100 dos 235 assentos. Os islâmicos fundamentalistas salafistas do Partido Nour também obtiveram uma votação expressiva e foram o segundo bloco que mais elegeu candidatos.

A Suprema Corte também julgou inconstitucional a lei aprovada pelo Parlamento que proíbe ex-representantes do alto escalão do governo Mubarak de se candidatar a cargos públicos por dez anos.

A lei, que foi aprovada pelo Parlamento no início deste ano, proibiria Ahmed Shafiq de participar da disputa.

Há temores de que os líderes militares do Egito possam ainda dissolver o Parlamento, o que faria com que o vencedor da votação deste final de semana possa tomar posse em um Egito desprovido de um Legislativo que possa fiscalizar e cobrar do futuro líder do país.

Uma assembleia formada por cem integrantes e apontada por parlamentares no início deste ano para elaborar a nova Constituição do país também poderá vir a ser dissolvida.

Soldados já se posicionaram em volta do Parlamento com ordens para impedir a entrada de parlamentares.

Grupos partidários da revolução afirmaram que vão fazer um protesto na praça Tahrir, centro do Cairo, na noite deste domingo, para continuar a pressão por reformas no país. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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