Egito condena à morte dois aliados do presidente deposto Mohammed Morsi

Os réus foram acusados de jogar duas pessoas do telhado durante protestos

O Estado de S. Paulo,

29 de março de 2014 | 17h05

CAIRO - Um tribunal da cidade de Alexandria, no Egito, condenou neste sábado dois aliados do presidente deposto Mohammed Morsi à morte, por jogar duas pessoas do telhado durante violentos protestos após o golpe que tirou o líder muçulmano do cargo. O episódio aconteceu em 5 de julho do ano passado, dois dias após a queda de Morsi.

Segundo o juiz Sayed Abdel-Latif, outros 60 réus acusados de violência durante os protestos devem ser condenados nos próximos dias. Entre as pessoas jogadas do telhado pelos aliados de Morsi estava Hamada Badr, um menino de nove anos que teria sido esfaqueado antes.

O pai de Hamada, Hassouna Badr, disse que a condenação é uma vingança parcial. "Eu quero que todos os líderes da Irmandade Muçulmana julgados e sentenciados à morte", comentou. As imagens do incidente foram veiculadas pela TV estatal repetidamente. Naquele mesmo dia, outras 12 pessoas foram mortas no Egito, enquanto os apoiadores de Morsi tentavam defendê-lo e reverter o golpe promovido pelo Exército. Nos meses que se seguiram, mais de mil pessoas morreram e outras milhares foram presas.

Na semana passada, um tribunal sentenciou 529 muçulmanos à morte pelo assassinato de um policial na província de Minya. O governo militar classificou a Irmandade Muçulmana como um grupo terrorista e culpa a entidade de promover uma campanha de violência no Egito.

Nesta sexta-feira, cinco pessoas foram mortas em protestos, incluindo uma jovem jornalista baleada na cabeça. Segundo o governo, entre os mortos também está uma jovem cristã, que teria sido arrancada de seu carro pelos manifestantes após eles terem visto um crucifixo pendurado no espelho retrovisor.

Gaza. Autoridades palestinas afirmaram que um posto de fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito foi reaberto neste sábado, após permanecer semanas fechado. Segundo o porta-voz do Ministério do Interior do Hamas, Eyad al-Bozum, as autoridades egípcias reabriram o posto de Rafah após um bloqueio que durou 49 dias. De acordo com ele, o posto ficará aberto por três dias e quase 6 mil palestinos esperam na fila para entrar no Egito.

O governo militar do Egito adotou políticas mais severas na fronteira com a Faixa de Gaza, que é governada pelo Hamas, grupo aliado da Irmandade Muçulmana. A passagem só é aberta esporadicamente, por questões humanitárias. / AP

Tudo o que sabemos sobre:
EgitoMorsialiadoscondenação

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.