Egito critica decisão americana de suspender ajuda militar ao país

Porta-voz da chancelaria egípcia promete não se dobrar à pressão de Washington

O Estado de S. Paulo,

10 de outubro de 2013 | 09h32

O governo do Egito criticou nesta quinta-feira, 10, a decisão tomada pelos Estados Unidos de suspender parte da ajuda econômica e militar ao país em razão da repressão à Irmandade Muçulmana. "A decisão foi errada. O Egito não vai se dobrar à pressão norte-americana e mantém o caminho para a democracia", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Badr Abdelatty, em entrevista a uma rádio privada egípcia.

A medida adotada pelos EUA suspende o fornecimento de tanques e aviões de combate, mas assegura o apoio a atividades de contraterrorismo. O Egito é o segundo maior receptor de ajuda dos EUA, depois de Israel. Os EUA anunciaram na quarta-feira que suspenderiam o envio de tanques, caças, helicópteros e mísseis ao Egito, além de 260 milhões de dólares em ajuda financeira, enquanto Washington avalia a situação da democracia e dos direitos humanos depois da tomada do poder pelos militares no país árabe.

Por meio de um comunicado à imprensa, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, afirmou ontem que Washington suspendeu o envio de "material militar pesado e de sua ajuda em dinheiro ao governo (egípcio), à espera de um progresso real em direção a um regime civil inclusivo, democraticamente eleito, e a eleições justas".

Os principais aliados estratégicos dos EUA no Oriente Médio, Israel e Arábia Saudita, opunham-se desde o início à ideia de cortar a ajuda militar ao Egito e, nos bastidores, manifestaram frustração com o anúncio de ontem do Departamento de Estado.

"Se os EUA são vistos como alguém que vira as costas ao Egito, um velho amigo, como ficará a imagem americana? As pessoas veem isso como os EUA desistindo de um amigo", disse uma fonte do governo israelense citada, em condição de anonimato, pelo New York Times. Segundo ela, as implicações vão muito além das relações entre Israel e Egito e envolvem o conjunto da política externa americana na região.

Questionado sobre o tema, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse, na semana passada, que só falaria "de maneira geral", completando que a paz entre Israel e Egito tem por base o apoio de Washington aos militares egípcios. O ministro de Assuntos Estratégicos de Israel, Yuval Steinitz, recusou-se ontem a comentar a decisão de Obama, mas disse: "Acho que é preciso fortalecer e apoiar o Egito, falando de um modo geral". / REUTERS e NYT

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