Egito critica decisão dos EUA de suspender ajuda

O governo interino do Egito criticou hoje a decisão dos Estados Unidos de congelar a bilionária assistência militar ao país.

AE, Agência Estado

10 de outubro de 2013 | 14h16

Na primeira reação egípcia à suspensão da ajuda, o Ministério das Relações Exteriores classificou a atitude norte-americana como "errada" e considerou que ela foi tomada num momento "inadequado".

Para o governo interino egípcio, a medida levanta dúvidas sobre o comprometimento dos EUA com a segurança do país em um momento no qual enfrenta "terroristas", numa alusão a milicianos islâmicos na Península do Sinai e em outras partes do Egito.

Enquanto isso, o ministro da Defesa Civil de Israel, Gilad Erdan, disse que seu país "acredita e espera" que a decisão dos EUA de cortar a ajuda ao Egito não afete acordo de paz histórico entre os dois países.

Gilad Erdan afirmou que Israel e Egito têm mantido laços estreitos e que há cooperação e "contato permanente" entre os dois países. Ele disse à rádio do Exército na quinta-feira que espera "que esta decisão dos Estados Unidos não tenha um efeito e não seja interpretada como algo que deveria ter um efeito."

O acordo de paz de Israel e Egito remonta a 1979 e é um dos pilares da estabilidade entre as duas nações. Além disso, o acordo de paz foi o primeiro assinado por Israel com um Estado árabe. Israel considera a ajuda dos EUA ao Egito como um apoio importante para o acordo.

Na véspera, o governo dos EUA suspendeu formalmente a maior parte da bilionária assistência militar ao Egito, em resposta ao golpe militar que derrubou o primeiro presidente democraticamente eleito da história do país árabe.

A chancelaria norte-americana não entrou em detalhes sobre os números. Desde 1979, no entanto, os EUA enviam em média US$ 1,5 bilhão por ano ao Egito. Desse total, US$ 1,3 bilhão é dedicado a ajuda militar.

A porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Jen Psaki, disse que Washington suspenderá a entrega de "sistemas militares" e da ajuda em dinheiro até que seja observado algum "progresso confiável" na direção de eleições livres e justas no Egito.

Psaki especificou apenas que será mantido o fluxo de dinheiro dedicado a investimentos em saúde e educação, assim como ajuda para que o Egito controle suas fronteira, combata o "terrorismo" e garanta a segurança no Sinai.

Os EUA analisavam a possibilidade de suspender a ajuda desde o golpe militar de 3 de julho, que culminou na deposição do presidente Mohammed Morsi e deu início a uma brutal campanha de repressão à Irmandade Muçulmana, grupo ao qual o líder deposto é ligado.

Os principais assessores de segurança nacional do presidente Barack Obama recomendam o corte desde o fim de agosto, mas os recentes desdobramentos da guerra civil Síria desviaram o foco do governo norte-americano.

Na Malásia, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que a decisão norte-americana de suspender a ajuda ao Egito não deve ter muito impacto sobre as relações bilaterais.

Kerry afirmou que a administração do presidente Barack Obama permanece comprometida com a restauração da democracia no Egito e manterá contato com os líderes do governo interino. Ainda segundo ele, a suspensão não deve ser vista como algo que pode prejudicar o comprometimento de Washington em ajudar. Fonte: Associated Press.

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