Egito debate adiar eleição parlamentar para outubro

Tribunal anula decreto do presidente Mohamed Morsi, que havia estabelecido votação entre abril e julho

CAIRO, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2013 | 02h06

O presidente do Egito, Mohamed Morsi, pode adiar para outubro as eleições parlamentares, previstas inicialmente para serem realizadas em quatro etapas entre abril e julho. "Talvez as eleições ocorram em outubro", disse à agência de notícias Mena.

A agenda inicial tinha sido definida por um decreto presidencial, anulado por um tribunal que estabeleceu novo cronograma. O adiamento pode beneficiar Morsi, já que o presidente ganha tempo extra para negociar um acordo com o fundo Monetário Internacional (FMI) e chegar a um consenso sobre cortes profundos em subsídios estatais exigidos pelo órgão para liberar um empréstimo de US$ 4,8 bilhões, visto como essencial para aliviar a profunda crise econômica que assola o Egito.

Também daria prazo a Morsi para tentar acalmar a oposição liberal e secular, que prometia boicotar as eleições, alegando que a nova lei eleitoral foi escrita para beneficiar o partido do presidente, a Irmandade Muçulmana, e seus aliados islamistas.

Os opositores acusam o presidente de instigar a repressão contra dissidentes. A crise agravou-se na segunda-feira, quando o procurador-geral ordenou a prisão de cinco ativistas supostamente envolvidos em um confronto com partidários da Irmandade, que deixou 200 feridos.

Justiça. Ontem, um tribunal anulou outro decreto do presidente, justamente o que ele usou para nomear, em novembro, o procurador-geral, levando o país a uma crise no Judiciário. A decisão, inédita, mostra como a transição pós-revolução embaralhou as fronteiras entre os poderes e deixou pouco claro quem tem a última palavra no país.

Partidários de Morsi alegam que o Judiciário continua sob controle de antigos aliados do regime de Hosni Mubarak, que estariam tentando minar a autoridade do presidente. Já os opositores do presidente o acusam de desafiar a ordem legal do país e de tentar controlar a Justiça. / AP e AFP

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