Egito declara emergência em 3 cidades

Protestos mataram pelo menos 49 pessoas desde sexta-feira, entre manifestantes e policiais

CAIRO, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2013 | 02h03

O presidente egípcio, Mohamed Morsi, declarou ontem toque de recolher e estado de emergência por 30 dias nas cidades de Port Said, Suez e Ismaília. Pelo menos sete pessoas morreram e 430 ficaram feridas ontem em Port Said, no terceiro dia de confrontos de rua que já mataram 49 pessoas em todo o país e agravam a crise enfrentada por Morsi. A oposição convocou mais protestos para hoje.

Ontem, a tropa de choque da polícia lançou gás lacrimogêneo contra centenas de manifestantes que atiravam pedras de uma ponte perto da Praça Tahrir, no Cairo, para forçá-los a voltar à praça - o epicentro da revolta que eclodiu em 25 de janeiro de 2011 e derrubou o ex-presidente Hosni Mubarak 18 dias depois. Os últimos protestos haviam sido programados inicialmente para marcar o aniversário da revolta, na sexta-feira.

Entre os mortos estão dois jovens de 22 anos e um adolescente de 16, que foram baleados. Ao menos 17 pessoas foram internadas com ferimentos por balas de fogo e borracha. A maioria dos feridos apresentava sintomas de asfixia por inalação de gás lacrimogêneo.

Milhares de egípcios participaram ontem dos funerais de 29 pessoas das 33 que morreram em Port Said no sábado, durante os protestos que eclodiram depois que um juiz condenou à morte 21 pessoas, a maioria da cidade, por envolvimento no tumulto que deixou 74 mortos num estádio de futebol local, no ano passado. Outros 52 réus receberão o veredito em março.

Adversários de Morsi também têm saído às ruas em todo o Egito acusando a ele e seus aliados da Irmandade Muçulmana de traírem os objetivos democráticos da revolução que derrubou Mubarak.

A maioria das mortes ocorreu nas cidades de Port Said e Suez. O Exército foi enviado para reforçar a repressão aos protestos nas duas cidades.

"Nenhum dos objetivos da revolução foi cumprido", disse o manifestante Mohamed Sami. "Os preços estão subindo. O sangue dos egípcios está sendo derramado nas ruas por negligência e corrupção, e porque a Irmandade Muçulmana está governando o Egito segundo seus interesses."

A violência dificulta a tarefa de Morsi de tentar consertar a economia e esfriar os ânimos antes da eleição parlamentar prevista para os próximos meses - processo considerado fundamental para consolidar a transição do Egito à democracia.

Os confrontos de rua expuseram a profunda cisão no país. Liberais e outros opositores acusam Morsi de ignorar promessas para a economia e descumprir o compromisso de representar todos os egípcios. Seus partidários acusam a oposição de tentar derrubar o primeiro líder eleito por meios democráticos no Egito.

Divisões. O Exército, que governou interinamente o Egito até a eleição de Morsi, em junho, voltou às ruas ontem para restaurar a ordem em Port Said e Suez, outra cidade portuária, no Canal de Suez, onde pelo menos oito pessoas foram mortas em confrontos com a polícia. Lojas e vários pontos comerciais ficaram fechados.

Muitos egípcios estão frustrados com a escalada da violência que prejudica a economia e os seus meios de subsistência. "Eles não são revolucionários protestando", disse o taxista Kamal Hassan, referindo-se às pessoas reunidas na Praça Tahrir. "São bandidos que destroem o país."/ REUTERS

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