Stephane Mahe / Reuters
Stephane Mahe / Reuters

Egito e Arábia Saudita querem comprar juntos navios franceses

Os dois porta-helicópteros, que a Rússia tinha encomendado, seriam usados como força de intervenção na região

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE, PARIS

07 de agosto de 2015 | 19h59

PARIS - O governo da França tem uma proposta conjunta de Egito e Arábia Saudita para a compra de dois navios de guerra Mistral fabricados pelo estaleiro francês DCNS e originalmente vendidos à Rússia. No início da semana, os presidentes francês, François Hollande, e russo, Vladimir Putin, chegaram a um acordo para o cancelamento da entrega dos dois porta-helicópteros, que estão prontos e ancorados no Porto de Cherbourg. 

Os navios haviam sido fabricados sob encomenda de Moscou, custaram € 1,2 bilhão, mas sua entrega foi embargada por decisão do Palácio do Eliseu após o início da crise na Ucrânia.

Com a anulação do acordo de venda, a França busca novo cliente para compensar o prejuízo. O Brasil chegou a ser especulado em Paris como possível comprador, mas o Estado apurou que o interesse da Marinha brasileira se deu no passado por embarcações Sirocco, usadas, menores e mais baratas que os Mistral.

Egito e Arábia Saudita demonstraram interesse pelas embarcações, que constituiriam uma força de intervenção integrada dos dois países no Oriente Médio – uma resposta a desafios como o Estado Islâmico, a ascensão de grupos xiitas no Iêmen e ao jogo de forças com o Irã no mundo muçulmano.

O interesse ficou claro durante a visita de Hollande ao Egito, onde participou da reinauguração do Canal de Suez, que teve suas instalações ampliadas. Na oportunidade, o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, manifestou a Hollande o interesse nas embarcações. O objetivo do Egito e da Arábia Saudita seria constituir uma esquadra conjunta como força de projeção regional nos mares Vermelho e Mediterrâneo. 

Paris já tem acordos de cooperação com os dois países e vendeu 24 aviões de caça Rafale e uma fragata Fremm ao Egito.

A Arábia Saudita lidera uma coalizão árabe no Iêmen contra milícias xiitas que tentam tomar o poder. O governo de Sissi apoiou a intervenção saudita e os dois países não descartam a possibilidade de uma intervenção militar na Líbia, dividida pela atuação de milícias e pela presença do Estado Islâmico.

No Cairo, o presidente francês afirmou que já “ocorreu a entrega de uma fragata e haverá outras, pois temos o desejo de ajudar o Egito a se defender frente ao terrorismo”, afirmou.

“Hoje, as relações entre a França e o Egito são calcadas nos interesses comuns: a luta contra o terrorismo e a segurança.”

Os governos de Canadá e Cingapura também manifestaram interesse nas duas embarcações francesas. Nesta sexta-feira, 7, o ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, confirmou a abertura de negociações com um número limitado de países. “Não haverá dificuldade para encontrar compradores para esses barcos.”


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