Egito estende por 15 dias prisão domiciliar de presidente deposto

Justiça acusa Morsi de conspirar contra Estado; rumor sobre intervenção da polícia leva dezenas de milhares às ruas

CAIRO, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2013 | 02h00

Partidários do presidente deposto do Egito, o islamista Mohamed Morsi, reforçaram ontem suas ocupações de rua, em meio a ameaças do governo interino de usar a força para retirá-los. Enquanto isso, a Justiça do Cairo estendeu a ordem de prisão domiciliar de Morsi por 15 dias - o paradeiro do primeiro presidente eleito do Egito, detido desde o dia 3 de julho, é desconhecido.

Os egípcios solidários ao líder deposto concentram-se em dois pontos principais da capital. A polícia afirmou ter desistido, por enquanto, de retirá-los à força por "temer um massacre". Forças policiais e atiradores à paisana mataram mais de 75 partidários da Irmandade Muçulmana, da qual faz parte Morsi, em um confronto após o golpe.

O ministro das Relações Exteriores do Egito, Nabil Fahmi, garantiu que o governo interino está tentando dialogar com os manifestantes e solicitou que qualquer operação para desalojá-los seja acompanhada por organizações de defesa dos direitos humanos.

Notícias de que a polícia agiria contra os acampamentos dos manifestantes fizeram com que dezenas de milhares de apoiadores de Morsi, incluindo mulheres e crianças, seguissem rumo aos locais de tensão. Autoridades policiais negaram que interviriam e afirmaram que qualquer tipo de ação levaria a "um banho de sangue".

Morsi não aparece em público desde que foi derrubado pelas Forças Armadas. A extensão de sua prisão domiciliar está relacionada a uma acusação de conspiração contra o Estado egípcio em 2011, em aliança com o grupo radical palestino Hamas.

Ontem, a principal organização em apoio a Morsi, o Comitê Contra o Golpe, ligado à Irmandade, afirmou que a multidão nos acampamentos era "uma mensagem a todas as partes de que é preciso respeito". O principal ponto de encontro foi na região da mesquita de Rabaah al-Adawiya, no centro da capital egípcia.

O Ministério do Interior afirma que as concentrações são uma ameaça à segurança pública e denuncia que 11 corpos com marcas de tortura foram encontrados nas regiões onde há ocupações. A Anistia Internacional corroborou a acusação: segundo a ONG, manifestantes contrários à Irmandade foram capturados, espancados, esfaqueados e submetidos a choques elétricos. / AP

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