Egito estuda antecipar eleição presidencial

Escolha de líder em abril, antes de renovação do Parlamento, beneficiaria general que assumiu após a queda de Morsi

CAIRO, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2013 | 02h19

O governo interino do Egito deve convocar eleições presidenciais antes das parlamentares, afirmaram ontem dois funcionários de alto escalão do país. Se a informação se confirmar, a alteração no cronograma político pode fazer com que o general Abdel Fattah al-Sisi - comandante militar que liderou o golpe que depôs o islamista Mohamed Morsi, há quase sete meses, seja eleito presidente em abril.

Segundo o "mapa" apresentado depois do golpe, as eleições parlamentares deveriam ocorrer antes da presidencial. Os políticos defensores da mudança, no entanto, alegam que o Egito precisa de um líder eleito para comandar o país numa época de crise e formar uma coalizão antes de uma eleição parlamentar que deve polarizar ainda mais a política local.

Fontes ouvidas pela agência Reuters disseram que esses políticos usaram quatro reuniões recentes para pressionar o presidente interino, Adli Mansour, a adotar essa solução. "As forças que participaram das reuniões concordaram, em grande maioria, em fazer a eleição presidencial antes", disse um dos funcionários ouvidos pela Reuters. Um oficial do Exército acrescentou: "A eleição presidencial, provavelmente, será realizada antes, como parece ser a exigência da maioria dos partidos".

Sisi é tido como favorito para a disputa presidencial, que não terá a participação da Irmandade Muçulmana, principal grupo político do país, do qual faz parte o ex-presidente Morsi.

Condenação. A Justiça egípcia condenou ontem 139 partidários de Morsi a dois anos de prisão, segundo a agência oficial Mena. Os islamistas, que podem recorrer da decisão, são acusados de envolvimento em episódios de violência durante manifestações ocorridas em 15 de julho no Cairo, contra a deposição do primeiro presidente eleito pelo voto popular na história do Egito. O tribunal determinou ainda que cada condenado pague 520 para recorrer em liberdade. / REUTERS e AFP

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