Egito faz oferta a partidários de Morsi

Autoridades egípcias ofereceram nesta quinta-feira "passagem segura e proteção" para os milhares de partidários do presidente deposto, Mohammed Morsi, se eles encerrarem as manifestações pacíficas.

Agência Estado

01 de agosto de 2013 | 11h41

A oferta do Ministério do Interior parece ser o primeiro passo do novo governo do Egito para desmantelar os acampamentos de protesto montados pelos seguidores de Morsi num bairro da região leste do Cairo e na cidade de Gizé.

A proposta foi feita um dia depois de o gabinete de governo ter ordenado ao Ministério, que é responsável pela polícia, que desmantelasse os dois focos de protestos, afirmando que eles representam uma ameaça à segurança nacional e aterroriza os cidadãos.

"O Ministério do Interior....pede àqueles que estão nas praça de Rabaa el-Adawiya e Nahda que ouçam a voz da razão, alinhem-se aos interesses nacionais e saiam rapidamente", disse o porta-voz do Ministério do Interior, Hany Abdel-Latif, em discurso transmitido pela televisão.

"Quem responder a esse chamado terá passagem segura e proteção", acrescentou ele.

A medida também elevou a expectativa de novos episódios de violência se as forças de segurança avançarem sobre as manifestações, concentradas no subúrbio de Nasser City e em Gizé, nas proximidades do principal campus da Universidade do Cairo.

Morsi foi deposto por um golpe militar em 3 de julho, após dias de grandes protestos nos quais milhões de egípcios exigiam sua saída. Desde então ele está detido, assim como vários líderes da Irmandade Muçulmana, grupo islamita do qual ele faz parte. A Irmandade afirma que Morsi deve voltar ao cargo e recusa a união com o atual governo.

O líder da Irmandade Muçulmana Essam el-Erian adotou um tom desafiador em sua página no Facebook. Nesta quinta-feira ele escreveu que "o povo será vitorioso".

O manifestante da Irmandade Saad Mohammed, que está no acampamento de Gizé, afirmou que o número de manifestantes aumentou após o aviso do governo. "Não estamos com medo", declarou ele.

Pelo menos 130 partidários da Irmandade morreram em confrontos com as forças de segurança desde a queda de Morsi. Até o início da tarde desta quinta-feira não havia movimentos significativos de forças de segurança contra os manifestantes ou os acampamentos.

Mais cedo, o Ministério do Interior havia dito que não iria reprimir os manifestantes, mas tomar medidas graduais dentre as quais avisos, o uso de canhões de água e gás lacrimogêneo. Fonte: Associated Press.

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