Egito impede entrada de dois funcionários do HRW no país

Dois importantes integrantes do grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) tiveram sua entrada negada pelo Egito, onde participariam do lançamento de um relatório sobre assassinatos em massa de manifestantes por forças de segurança egípcias.

Estadão Conteúdo

11 de agosto de 2014 | 10h30

O diretor executivo do grupo, Kenneth Roth, e a diretora para Oriente Médio e Norte da África, Sarah Leah Whitson, disseram em comunicado que funcionários do Aeroporto Internacional do Cairo impediram que eles entrassem no país e não deram qualquer explicação para o fato. Trata-se da primeira vez que autoridades egípcias negam a entrada de funcionários do HRW no país.

"Nós viemos ao Egito para publicar um relatório sério sobre uma questão séria que merece séria atenção do governo egípcio", declarou Roth. "Em vez de negar que a mensagem entre no Egito, as autoridades egípcias deveriam considerar seriamente nossas conclusões e recomendações e respondê-las com ações construtivas."

O Exército do Egito derrubou o governo islamita do presidente Mohammed Morsi em julho de 2013, mas os protestos contra a medida foram reprimidos com a pior violência da história moderna do país.

O relatório HRW, que deve ser divulgado na terça-feira, examina a repressão contra os partidários do líder deposto perto da mesquita Rabaa al-Adawiya, no Cairo, quando centenas de pessoas foram mortas.

O grupo já compartilhou suas descobertas, reunidas num relatório de 188 páginas, que teve como base investigações de um ano sobre os eventos de Rabaa. O HRW pediu para se reunir com autoridades durante esta visita ao Egito, mas não recebeu resposta.

"Parece que o governo egípcio não tem disposição apetite para enfrentar a realidade desses abusos e muito menos que os responsáveis prestem contas", acrescentou Roth.

Não foi possível entrar em contato com funcionários do governo nem do aeroporto.

No início deste ano, o HRW fechou seu escritório no Cairo em razão dos temores sobre a deterioração da segurança e da situação política no país, depois que as autoridades egípcias impuseram amplas restrições a organizações da sociedade civil. Fonte: Dow Jones Newswires.

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