Egito interroga líder detido da Irmandade Muçulmana

Autoridades egípcias interrogavam nesta terça-feira o líder supremo da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, detido horas antes em Cidade Nasser, no Cairo. Ele foi levado à penitenciária de Tora, onde era interrogado por integrantes da promotoria, disseram fontes no sistema judicial.

AE, Agência Estado

20 de agosto de 2013 | 19h32

Badie e mais cinco líderes da Irmandade Muçulmana são acusados pelo governo imposto pelos militares depois do golpe que derrubou o presidente Mohammed Morsi em 3 de julho por supostamente incitarem oito assassinatos ocorridos em junho, após diretórios da agremiação terem sido incendiados.

A detenção de Badie é o mais recente desdobramento de uma campanha de repressão das forças de segurança à Irmandade Muçulmana nas semanas que sucederam o golpe militar que depôs Morsi, que também é filiado ao grupo e continua detido.

Diante da prisão de seu líder, a Irmandade Muçulmana assegurou que o episódio não enfraquecerá o movimento nem afastará seus seguidores de seus princípios. "O povo vai continuar sua luta pacífica até reconquistar todos os seus direitos, mesmo com sua eminência, o guia, na cadeia", prometeu o grupo.

Enquanto isso, o governo dos Estados Unidos discutia uma possível suspensão da assistência militar de US$ 1,5 bilhão concedida por Washington ao Cairo.

Segundo David Carle, assessor do senador norte-americano Patrick Leahy, o governo norte-americano já paralisou os repasses de dinheiro no âmbito de sua assistência militar ao Egito.

Carle qualificou a decisão do governo como uma "ação momentânea, e não necessariamente uma (mudança de) política oficial". Ele observou que ainda não se sabe por quanto tempo o dinheiro ficará retido.

O governo norte-americano iniciou recentemente uma revisão da assistência militar ao Egito. A revisão foi motivada pelo golpe militar que derrubou Morsi no mês passado.

Até agora, porém, nenhuma decisão formal foi tomada e a Casa Branca tem se esquivado de qualificar a deposição de Morsi como "golpe de Estado", pois isso a obrigaria a suspender a assistência militar até que um governo democrático seja instaurado.

A ajuda militar norte-americana ao Egito totaliza cerca de US$ 1,5 bilhão por ano. Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse que Washington ainda não havia repassado US$ 585 milhões referentes ao ano de 2013.

Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusou hoje Israel de estar por trás da revolta contra Morsi no Egito. Erdogan também criticou os países muçulmanos, acusando-os de trair o Egito ao apoiarem os novos líderes egípcios.

A Casa Branca criticou a acusação de Erdogan contra Israel. O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, afirmou que a sugestão é "ofensiva, sem fundamentos e errada". Segundo ele, esse tipo de afirmação distrai os países da necessidade de trabalharem juntos de forma construtiva na região.

Erdogan fez a acusação em um discurso televisionado. Sua única evidência era um comunicado de um intelectual judeu francês durante uma reunião com uma autoridade israelense. Fonte: Associated Press.

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