Egito: Judiciário decidirá futuro da Irmandade Muçulmana

O presidente interino do Egito, Adly Mansour, defendeu o golpe militar que derrubou seu antecessor e disse que a principal prioridade de seu governo é restaurar a segurança. As declarações foram feitas durante entrevista concedida na terça-feira à televisão estatal egípcia, a primeira desde de Mansour tomou posse, que foi ao ar no mesmo dia em que um tribunal militar divulgou os veredictos contra partidários de Mohammed Morsi e que canais de televisão simpáticos ao antigo regime foram retirados do ar.

Agência Estado

04 Setembro 2013 | 10h45

A entrevista, na qual foram abordados vários temas, parece ter tido como objetivo dar uma feição civil à derrubada militar de Morsi em meio a temores de que o poderoso Exército do país está controlando a situação nos bastidores.

Mansour disse que o Egito está saindo de um "governo autoritário para um democrático" e que as principais prioridades do país são seguir aderir a um roteiro apoiado pelos militares para a transição, restabelecer a segurança e melhorar a economia.

O governo interino trabalha num plano de transição e na indicação de um comitê para revisar a Constituição aprovada durante o governo de Morsi. A nova versão será colocada em referendo popular no prazo de dois meses e, se aprovada, abrirá o caminho para eleições presidenciais e parlamentares.

Nesse meio tempo, Mansour defende a manutenção das leis de emergência. O estado de emergência dá às autoridades amplos poderes para realizar prisões. "Atos de terrorismo e a guerra agressiva dos extremistas nos levaram a esta decisão", disse ele.

Ele disse que o destino da Irmandade está agora nas mãos do Judiciário, que analisa o pedido de dissolução do grupo tendo como base a acusação de que ele funciona fora da lei. Recentemente, o primeiro-ministro interino disse que a Irmandade deveria ter permissão para ter um partido político e ser monitorada, em vez de ser forçada à clandestinidade, como esteve por mais de 80 anos.

Mansour disse que o desemprego no país está em 13% e que o investimento estrangeiro no Egito caiu para US$ 2 bilhões, ante US$ 13 bilhões cinco anos atrás. Ele afirmou que a dívida externa do país está em torno de US$ 38 bilhões e que o déficit orçamentário é de US$ 26,5 bilhões.

Segundo o presidente interino, as reservas estrangeiras do país são a metade do que eram antes de 2011, quando tiveram início os protestos no país. Ele afirmou que o turismo, que injeta cerca de US$ 15 bilhões na economia do Egito, precisa ser ressuscitado.

"Eu espero que a imagem do Egito no exterior melhore", disse ele enquanto defendia a queda de Morsi como uma "revolução". Fonte: Associated Press.

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