REUTERS/Asmaa Waguih
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Egito liberta jornalistas da Al-Jazeera

Mohamed Fahmy e Baher Mohamed foram presos no fim de 2013; decisão ocorreu após a publicação da opinião da mais alta corte de apelações egípcia

CAIRO, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2015 | 02h00

A Justiça do Egito determinou ontem a libertação dos dois jornalistas da emissora Al-Jazeera, do Catar, que estão presos no país há mais de um ano acusados de publicar "notícias falsas" e auxiliar uma "organização terrorista" - a Irmandade Muçulmana. Comemorada pelas famílias dos profissionais, a decisão foi vista como uma manobra para tentar acabar com as críticas da comunidade internacional a respeito do caso.

Mohamed Fahmy e Baher Mohamed foram presos no fim de 2013. A decisão por sua libertação ocorreu após a publicação da opinião da mais alta corte de apelações egípcia, que deliberou a favor de um novo julgamento para os jornalistas, afirmando que sua condenação não tinha fundamento.

O jornalista australiano Peter Greste, que também foi preso com Fahmy e Mohamed, foi libertado e deportado no dia 1.º, após um decreto do presidente Abdel Fattah al-Sissi autorizando a deportação de estrangeiros condenados em seu país.

Fahmy pagou quase US$ 33 mil de fiança e também busca a deportação com base no novo decreto. Ele abriu mão de sua cidadania egípcia para se tornar apto para ser deportado para o Canadá, de onde também é cidadão. Mohamed, porém, não possui dupla cidadania e permanecerá no país - sua libertação foi determinada sem a necessidade do pagamento de fiança.

"Não pedi para abrir mão de minha cidadania egípcia, pediram que eu fizesse isso", afirmou Fahmy no tribunal. O jornalista afirmou que autoridades de segurança pediram que ele fizesse isso porque o caso tinha se tornado um "pesadelo" para o Egito. Segundo o relato, os agentes lhe disseram que poderia voltar ao Egito quando quisesse e solicitar novamente a cidadania egípcia.

Fahmy disse que funcionários do governo canadense afirmaram que sua deportação era iminente. "Fizemos nossas malas. Minha mulher largou o emprego. Reservamos as passagens", disse. Após a fala do jornalista, as pessoas presentes na sala do tribunal aplaudiram as libertações.

De acordo com dados do Comitê de Proteção aos Jornalistas, de Nova York, outros nove profissionais de imprensa estão presos no Egito. Entidades egípcias, porém, afirmam que dezenas de jornalistas estão detidos no país. / NYT e AP

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