Egito mantém nomes do antigo regime em novo gabinete

A junta militar egípcia nomeou na terça-feira alguns ministros de oposição ao deposto ditador Hosni Mubarak, mas irritou a Irmandade Muçulmana e outros grupos ao preservar os titulares de algumas pastas importantes.

MARWA AWAD E PATRICK WERR, REUTERS

22 de fevereiro de 2011 | 18h12

A Irmandade, maior organização política do Egito, disse que o novo gabinete mostra que os "comparsas" de Mubarak ainda controlam a política nacional. O grupo disse que pretende levar 1 milhão de pessoas a uma passeata na sexta-feira para demonstrar a frustração popular.

"Este novo gabinete é uma ilusão", disse à Reuters Essam el Erian, dirigente da Irmandade Muçulmana. "Ele finge incluir uma oposição real, mas na verdade esse novo governo coloca o Egito sob a tutela do Ocidente."

"Os importantes ministérios da Defesa, Justiça, Interior e Relações Exteriores continuam sem mudanças, sinalizando que a política do Egito continua nas mãos de Mubarak e seus comparsas", disse Erian.

O novo gabinete foi nomeado pela junta militar que assumiu o poder depois da revolta popular que derrubou Mubarak, ditador do Egito durante 30 anos. A junta é chefiada pelo marechal Mohamed Tantawi, ministro da Defesa há duas décadas.

Cerca de 500 egípcios fizeram na terça-feira uma manifestação pedindo a demissão de ministros ligados a Mubarak e a revogação do estado de emergência no país. "O público exige a derrubada do governo", gritavam os manifestantes na praça Tahrir, que foi o epicentro da rebelião contra Mubarak. Nos cartazes, havia apelos pela nomeação de tecnocratas para os ministérios.

Entre os nomes da oposição trazidos para o novo gabinete estão Yehia el Gamal, que será vice-premiê; Mounir Abdel Nour, do partido Wafd, na pasta do Turismo; e Gowdat Abdel-Khaleq, do partido Tagammu, como ministro de Solidariedade Social e Justiça Social.

O novo ministro do Petróleo, Mamoud Latif Amer, era até então executivo-chefe da estatal de gás Egas.

Também na terça-feira, o ministro das Finanças egípcio, Samir Radwan, disse que o governo prepara um pacote de recuperação econômica para compensar os prejuízos causados pela turbulência política.

Ele estima que a revolta tenha reduzido o crescimento do país para 4,3 por cento ao ano no período encerrado em junho, o que representa uma queda de 1,7 ponto percentual em relação à previsão anterior.

A junta militar vem tentando conter a onda de greves e protestos de trabalhadores num momento em que a população aproveita liberdades inexistentes no governo anterior para fazer reivindicações.

Em visita ao Cairo, a chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, disse que o bloco cogita destinar bilhões de euros adicionais para apoiar o Egito na sua fase de transição.

(Reportagem de Marwa Awad, Patrick Werr e Sarah Mikhail)

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