Egito não permitirá observadores internacionais nas eleições

Presença de estrangeiros ameaça soberania egípcia no pleito, argumentam militares

Associated Press

20 de julho de 2011 | 19h56

CAIRO - O conselho militar que governa o Egito não permitirá a presença de monitores internacionais nas eleições parlamentares que devem ocorrer nos próximos meses no país, disse nesta quarta-feira, 20, uma fonte do governo. A decisão foi criticada por ativistas, já que levantam questões sobre a transparência do pleito, a primeira a ser realizada depois da queda do ditador Hosni Mubarak e que devolveria o poder aos civis.

 

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O major general Mamdouh Shaheen, que apresentou as novas leis eleitorais nesta quarta, afirmou que o veto a observadores internacionais é uma medida necessária para garantir a soberania egípcia. "Não temos nada a esconder. Rejeitamos tudo o que afeta a nossa soberania", disse o militar, acrescentando que o processo será monitorado por fiscais do próprio país.

 

Hafez Abou Saada, membro do Conselho Nacional pelos Direitos Humanos, afirmou que as promessas de eleições livres e justas por parte dos militares não são o bastante e lembrou que barrar observadores estrangeiros é uma postura utilizada durante a ditadura de Mubarak. "Observadores internacionais fazem parte de qualquer eleição moderna. Muitos países estão olhando o que acontece aqui. Isso não é um sinal positivo", afirmou.

 

A nova lei reduz a idade mínima para a candidatura à câmara baixa - passou de 30 para 25 anos - aparentemente para permitir que os jovens que lideraram os protestos de fevereiro tentem se eleger. Para a câmara alta, as regras são as mesmas: mínimo de 35 anos. O futuro presidente também terá direito de apontar cem membros do Parlamento.

 

A votação, na qual serão escolhidos os parlamentares das câmaras baixa e alta simultaneamente, ocorrerá antes do fim do ano. A data será estabelecida por decreto militar antes do fim de agosto. O pleito para a escolha do presidente será realizado em uma ocasião diversa.

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