Egito nega apoio aos Estados Unidos

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, não deu espaço aos Estados Unidos para negociar o isolamento do governo do Hamas e disse nesta quarta-feira à secretária do Estado dos EUA, Condoleezza Rice, que era imperativo manter a ajuda à Autoridade Nacional Palestina (ANP).No último de uma séria de encontros tensos com a secretária americana, Mubarak insistiu no que Rice tinha ouvido do ministro das relações internacionais do país, Ahmed Aboul Gheit, que disse que seria prematuro cortar as relações com a ANP, mesmo que o Hamas forme o gabinete.Até agora o Hamas se negou a cumprir com as exigências internacionais de reconhecer Israel, abrir mão de sua política violenta e fazer um acordo de paz entre a ANP e Israel.Em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira com Aboul Gheit, Rice foi questionada se os Estados Unidos pretendiam impor uma "democracia de tortura" e abusos dos direitos humanos. Isso, o repórter sugeriu, era o que os EUA trouxeram ao Iraque. Outros jornalistas perguntaram por que os EUA estavam interessados somente nas ambições nucleares do Irã ao invés das armas nucleares controladas por Israel, e se a administração de Bush iria bombardear o Irã."Nossa intenção não é que todos tenham uma democracia no estilo americana, isso é somente para os americanos", disse Condoleezza. "Mas haverá uma democracia que é para o Egito ou para o Iraque ou para qualquer outra pessoa neste mundo, porque a democracia é a única forma de governo na qual o seres humanos podem, realmente, se expressar."Enquanto Rice voava para a Arábia Saudita para a segunda parada de sua missão pelo Oriente Médio, o porta-voz presidencial do Egito, Suleiman Awad, declarou que os laços entre seu país e os Estados Unidos são "profundos e estratégicos", mas acrescentou que as decisões egípcias são feitas dentro do Egito e não em outra capital ou lugar, não importando o interesse de seus amigos".O Egito tem sido alvo de fortes pressões americanas para organizar uma reforma democrática. Logo após chegar a Ryiadh, Condoleezza se encontrou com um grupo de cidadãos sauditas, incluindo alguns simpatizantes da democracia, a quem ela falou que os EUA continuarão fazendo pressão para que o governo egípcio reforme suas instituições.

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