Egito negocia cessar-fogo em Gaza após 25 mortes

Aviação israelense mata mais 7 em retaliação ao disparo pelos palestinos de 150 foguetes que deixaram 8 feridos no sul de Israel nos últimos 4 dias

GAZA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2012 | 03h07

O Egito negocia um cessar-fogo que ponha fim à escalada de tensão entre Israel e militantes palestinos da Faixa de Gaza. Ontem, a aviação israelense matou mais 7 palestinos, elevando a cifra de mortos para 25 - entre os quais 5 civis - em 4 dias de violência. Do outro lado, cerca de 150 foguetes foram disparados de Gaza contra Israel, deixando 8 feridos.

O ministro de Assuntos Estratégicos de Israel, Moshe Ya'alon, afirmou que o Hamas enviou ao governo Binyamin Netanyahu, por meio de interlocutores egípcios, uma mensagem dizendo que não deseja uma escalada na violência. Ontem, o premiê israelense ameaçou pela primeira vez lançar uma ofensiva terrestre contra Gaza, alertando que poderá "estender" a operação militar "o quanto for necessário".

Ao jornal israelense Haaretz, uma fonte do serviço secreto egípcio afirmou que um cessar-fogo deve ser alcançado ainda hoje. Temendo o custo político interno, nem Israel nem o grupo radical palestino Hamas desejariam ver a violência crescer. O ministro israelense resumiu da seguinte forma sua posição: "Se eles (os militantes palestinos) ficarem quietos, nós ficaremos quietos. Se eles atirarem foguetes ou planejarem ataques, nós os atingiremos. A bola, portanto, está no campo deles".

A nova onda de violência em Gaza e no sul de Israel teve início na sexta-feira, depois que a aviação israelense matou Zuhair al-Qaissi, líder do Comitê de Resistência Popular (CRP). Israel afirma que o grupo preparava uma nova infiltração no território israelense pela Península do Sinai, no Egito. Em agosto, militantes do CRP mataram oito civis israelenses ao conseguirem cruzar a fronteira.

A morte de Qaissi foi o estopim da nova ofensiva do CRP e do grupo Jihad Islâmica. Cerca de 150 projéteis foram disparados pelas duas organizações nos últimos quatro dias. Diante da reação dos militantes, Israel lançou bombardeios contra líderes dos dois grupos palestinos. Os ataques mataram cinco civis, afirmam fontes médicas.

Arsenais. O Hamas, que controla Gaza, não endossou a ofensiva dos grupos palestinos, mas tampouco se opôs aos disparos. O principal rival do Fatah tem se distanciado de seus tradicionais patrocinadores, Irã e Síria, enquanto o CRP e a Jihad Islâmica receberiam cada vez mais apoio de Teerã e Damasco.

Segundo Israel, parte dos foguetes de Gaza estava nos arsenais líbios de Muamar Kadafi. Após a queda do regime de Trípoli, as armas teriam cruzado o Egito até chegar ao território palestino. Ontem, um projétil chegou a 40 km de Tel-Aviv - o maior alcance já registrado de foguetes disparados de Gaza.

Analistas militares apontam ainda para a eficiência do escudo antimísseis desenvolvido por Israel. Dos 143 foguetes disparados até ontem de manhã, 63 teriam sido interceptados. / AP

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