Egito: partidários de presidente deposto pedem diálogo

A aliança liderada pela Irmandade Muçulmana disse neste sábado que está pronta para um diálogo nacional a fim de encerrar a disputa política no Egito, sem formalmente demandar a volta ao poder do presidente islâmico deposto Mohammed Morsi. O governo militar, entretanto, sinalizou que não tem intenção de negociar com partidários de Morsi. Além disso, juízes sugeriram neste sábado que o governo dissolva a Irmandade.

Agência Estado

16 de novembro de 2013 | 18h46

O pedido de diálogo da aliança de grupos islâmicos é a primeira proposta formal feita pelos que apoiam Morsi, responsáveis por protestos quase que diários, pedindo a sua volta, desde que foi retirado do poder por um movimento popular com apoio de militares, em 3 de julho.

Mohammed Bishr, um membro líder da Irmandade, disse para repórteres que o diálogo pede a libertação de detidos após a deposição de Morsi, o fim da perseguição a membros da Irmandade e seus aliados e a reabertura dos canais de televisão que os apoiam. A coalizão deu duas semanas para que as forças políticas, os militares e o governo interino discutam as propostas.

Embora não peçam a volta de Morsi, a coalizão insiste em basear uma solução na "legitimidade constitucional", sem dar detalhes.

Um porta-voz da Irmandade, disse que um caminho para recuperar a legitimidade constitucional é recolocar Morsi no poder brevemente, de modo que possa convocar novas eleições ou nomear um novo primeiro-ministro.

Não está claro como as propostas se encaixariam no plano apoiado pelos militares, atualmente em vigor, para o retorno do Egito à democracia. O plano fala em referendo ao final do ano para mudar a constituição de orientação islâmica. O referendo seria seguido por eleições parlamentares e presidenciais no verão.

O vice-primeiro-ministro, Hossan Eissa, disse à Associated Press que os partidários de Morsi deveriam aceitar o plano apoiado pelos militares primeiro, como um ponto de partida para o diálogo.

Paralelamente, um corpo de juízes disse na corte do Egito que o braço político da Irmandade, assim como o Partido Liberdade e Justiça, deveriam ser dissolvidos e seus bens arrestados, informou a agência de notícias MENA. A opinião do corpo de juízes faz parte de uma orientação para a Corte, que irá decidir sobre a dissolução ou não do partido em fevereiro.

A agência disse que os juízes também apresentaram emendas à constituição, que deve ter uma versão preliminar pronta na terça-feira ou quarta-feira. Membros da coalizão criticaram o trabalho do painel de juízes. Fonte: Associated Press.

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