Egito pede aos EUA que libertem último egípcio em Guantánamo

O Egito pediu aos Estados Unidos que libertem um egípcio detido desde 2001 na prisão militar de Guantánamo, e que foi acusado de apoiar grupos terroristas no Afeganistão, disse a chancelaria egípcia nesta quinta-feira.

SHAIMAA FAYED, Reuters

02 de agosto de 2012 | 17h48

Desde que o presidente Mohamed Mursi tomou posse, semanas atrás, seu governo, ligado à Irmandade Muçulmana, vem tentando assegurar a libertação de egípcios presos no país e no exterior por envolvimento com a militância islâmica.

Durante sua campanha eleitoral, Mursi prometeu se empenhar pela libertação do xeque Omar Abdel Rahman, líder espiritual do grupo Al Gama'a al Islamiya, que cumpre pena de prisão perpétua nos EUA por ter tramado atentados em Nova York.

Analistas duvidam que Mursi tenha sucesso no seu pedido. Ele não abordou o assunto durante uma reunião em 14 de julho com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, segundo relato da secretária quando questionada sobre isso.

"Buscar a libertação de prisioneiros islâmicos de um tipo ou outro certamente parece ser um dos primeiros temas da sua Presidência", disse Shadi Hamid, analista do Brookings Doha Center, dizendo que essa posição parece motivada por questões de política doméstica.

O chanceler egípcio, Mohamed Kamel Amr, enviou na terça-feira uma carta a Hillary pedindo a libertação de Tarek el Sawah, último egípcio preso em Guantánamo, segundo seu porta-voz, Amr Roshdy.

El Sawah está detido em Guantánamo sem julgamento nem prova de que tenha cometido um crime, disse a carta, acrescentando que o governo do Egito pretende contratar para defendê-lo um advogado norte-americano especializado nos direitos humanos dos prisioneiros de Guantánamo.

A entidade Human Rights Watch publicou em 2009 um relatório dizendo que El Sawah havia sido processado por conspiração e apoio material ao terrorismo, pois teria supostamente atuado como especialista em explosivos da Al Qaeda.

(Reportagem adicional de Ayman Samir)

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