Egito pede que Israel congele expansão de assentamentos por três meses

Líder israelense já adiantou que não estenderá moratória, mas deve fazer restrições a construções

AE-AP, Agência Estado

16 de setembro de 2010 | 11h44

JERUSALÉM - O presidente do Egito, Hosni Mubarak, afirmou nesta quinta-feira, 16, ter pedido a Israel que interrompa as construções em assentamentos nas Cisjordânia por mais três meses, a fim de dar uma chance ao processo de paz.

 

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Mubarak contou que disse ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que a moratória poderia dar tempo aos dois lados para rascunhar as futuras fronteiras. Uma vez que essa fronteira tenha sido pactuada pelos dois lados, disse Mubarak, Israel poderia construir dentro de suas fronteiras e os palestinos, em seu território.

 

Os comentários do líder egípcio foram divulgados em trechos de uma entrevista da Rádio Israel. Também nesta quinta-feira, o escritório de Netanyahu disse que Israel não planeja ampliar as restrições a construções atualmente em vigor, que acabam no dia 26. Netanyahu já indicou, porém, que algumas restrições podem ser aplicadas.

 

Nesta quinta, o jornal árabe baseado em Londres Asharq al-Awsat informou que os EUA sugeriram a israelenses e palestinos uma extensão de três meses na moratória na expansão de assentamentos judaicos na Cisjordânia. Segundo o diário, Abbas teria concordado com a proposta, mas o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não se posicionou.

 

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que não há alternativa a não ser continuar negociando com Israel. Abbas falou em Ramallah, na Cisjordânia, onde recebeu a secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Ele não disse, porém, se pretende manter o diálogo mesmo com novas construções nos assentamentos, em áreas que os palestinos querem como parte de seu futuro Estado. Anteriormente, Abbas chegou a dizer que essa atitude israelense impossibilitaria o diálogo. Já Hillary reiterou o empenho dos EUA em trabalhar pela paz na região.

 

Fechamento

 

As Forças Armadas de Israel informaram, nesta quinta-feira, que a Cisjordânia será fechada por 48 horas, a partir da zero hora de sexta-feira, para o feriado judaico do Yom Kippur. Nesse período, a entrada no território israelense será permitida apenas em "casos humanitários e emergências médicas", disse o Exército em comunicado.

 

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O Yom Kippur é o feriado mais importante do calendário judaico. Ele começa no pôr-do-sol da sexta-feira e termina no pôr-do-sol do sábado. Nesse dia solene, a maioria dos israelenses evita dirigir ou usar a eletricidade, e as emissoras locais suspendem suas transmissões. Desde o começo da Segunda Intifada, em setembro de 2000, a Cisjordânia sofre um cerco da segurança israelense, com apenas alguns milhares de palestinos podendo entrar em Israel a cada dia. Cercos totais são impostos rotineiramente, em feriados judaicos e nacionais de Israel. Com informações da Dow Jones.

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