Egito preenche postos-chave em novo gabinete Chefe do Exército defende golpe

ElBaradei assume vice-presidência e premiê nomeia economista liberal ministro das Finanças e ex-embaixador nos Estados Unidos, chanceler

CAIRO, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2013 | 02h05

O primeiro-ministro interino do Egito, Hazem al-Beblawi, anunciou ontem os nomes que preencherão os postos-chave no gabinete que liderará a transição no país para um regime civil, após o golpe que depôs o presidente eleito Mohamed Morsi.

Beblawi, de 76 anos, está escolhendo liberais e tecnocratas para governar sob uma Constituição temporária até as eleições parlamentares, que devem ser realizadas em seis meses.

O prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei assumiu ontem como vice-presidente, cargo que lhe ofereceram na semana passada depois que os rumores de que ele seria nomeado premiê provocaram protestos.

O novo chefe de governo escolheu o economista liberal Ahmed Galal, doutor pela Universidade de Boston, para o cargo de ministro das Finanças.

O ex-embaixador egípcio nos Estados Unidos Nabil Fahmy foi nomeado chanceler, um indício da importância que o governo interino dá ao relacionamento com a potência que fornece anualmente US$ 1,3 bilhão em ajuda ao Egito.

Funcionários do governo disseram que inicialmente o cargo de ministro das Finanças seria oferecido a Hani Kadry, que chefiou as negociações sobre as dívidas egípcias com o Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, não ficou claro porque Kadry não foi escolhido para o cargo.

O dia de ontem marcou uma semana sem violentos confrontos nas ruas. Nos dias após a queda de Morsi, confrontos entre o Exército, os membros da Irmandade Muçulmana - grupo radical islâmico ao qual pertence o deposto presidente - e opositores do ex-chefe de Estado deixaram mais de 90 mortos.

Morsi, o primeiro presidente eleito democraticamente no Egito, vem sendo mantido incomunicável desde que o Exército o removeu do poder no dia 3, depois que milhões de pessoas saíram às ruas em todo o país exigindo sua renúncia no primeiro aniversário de seu mandato.

As autoridades não o indiciaram por nenhum crime, mas no sábado ele começou a ser investigado pelas acusações de espionagem, incitação à violência e pelas péssimas condições da economia do país. Ainda ontem, a Promotoria Pública ordenou o congelamento dos bens de 14 membros da Irmandade Muçulmana e seus líderes.

Acusações de incitação à violência já foram feitas contra vários líderes da Irmandade. O grupo radical islâmico diz que as acusações criminais são parte de um complô contra ele e as autoridades querem responsabilizá-lo pelas mortes.

A Irmandade Muçulmana convocou novos protestos para hoje e os opositores de Morsi também prometeram mais manifestações, apesar de que suas marchas têm atraído cada vez mais pessoas após terem alcançado o objetivo de depor o presidente.

O subsecretário de Estado dos EUA, William Burns, se reunirá esta semana com o governo interino para destacar a necessidade de uma rápida transição no Egito. / REUTERS e AP

O chefe das Forças Armadas egípcias, general Abdel Fath al-Sisi, assegurou ontem que o Exército não tem ambições políticas e a profunda divisão no Egito o obrigou a intervir no processo político. Em um discurso a oficiais no Cairo, Al-Sisi disse que as Forças Armadas propuseram ao presidente Mohamed Morsi que convocasse um referendo sobre sua permanência no poder antes de depô-lo no dia 3. "Ele havia perdido a legitimidade", disse. / EFE

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