Egito prende 90 opositores para evitar candidatura em eleições

Detidos são integrantes da Irmandade Muçulmana, grupo organizado de oposição ao governo de Hosni Mubarak

Agência Estado e Associated Press,

20 de fevereiro de 2008 | 12h27

A polícia egípcia prendeu nesta quarta-feira, 20, 90 integrantes e potenciais candidatos da Irmandade Muçulmana para impedir que participem das eleições municipais de 8 de abril, informaram líderes do grupo e fontes no governo. Dirigentes da Irmandade Muçulmana asseguraram que a repressão do governo não servirá para dissuadir o grupo de concorrer nas eleições municipais. Pelo fato da organização ter sido proscrita pelo governo, os candidatos da Irmandade Muçulmana costumam concorrer como independentes. Uma fonte nos serviços egípcios de segurança informou que soldados invadiram durante a madrugada as casas de dezenas de integrantes da Irmandade Muçulmana em cinco diferentes províncias do país, inclusive no Cairo. Segundo uma fonte, os militantes foram detidos com base em acusações de participarem de uma organização proibida pelo governo. "Eles prenderam todas as pessoas que a eles pareciam um potencial candidato", disse Mohammed Mahdi Akef, líder da Irmandade Muçulmana. O grupo publicou a identidade dos 90 detidos em sua página na internet e denunciou que as detenções constituem uma tentativa de intimidação para impedir que o grupo concorra nas eleições. Porém, Akef assegurou que a Irmandade participará do pleito independentemente da repressão. "É um dever para com Deus servir às pessoas", disse ele à Associated Press. As detenções desta quarta elevam para mais de 600 o número de integrantes da Irmandade Muçulmana presos pelo governo do Egito, um importante aliado dos Estados Unidos na região, desde o início do ano. Fundada em 1928, a Irmandade Muçulmana funcionou legalmente até 1954, quando foi banida e passou a atuar na clandestinidade. Os candidatos independentes ligados à Irmandade Muçulmana detém mais de um quinto das 454 cadeiras do Parlamento egípcio. Trata-se do maior grupo organizado de oposição ao governo do presidente Hosni Mubarak.

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