Egito prende jornalista que criticou Morsi

Medida é seguida de lei, baixada pelo presidente, que suspende as detenções ligadas à imprensa

CAIRO, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h01

O presidente do Egito, Mohamed Morsi, fez uso ontem pela primeira vez dos poderes legislativos que obteve ao suspender determinações da junta militar que governou o país e limitavam suas atribuições. Morsi baixou uma lei que suspende pedidos de detenção em casos relacionados à mídia. No mesmo dia, porém, a Justiça egípcia ordenou a detenção preventiva do redator-chefe do jornal Al-Dostur, Islam Afifi, acusado de insultar Morsi.

O anúncio do presidente ocorreu horas depois da decisão judicial contra o jornalista do veículo de oposição. Segundo o porta-voz do Executivo Yasser Ali, o primeiro decreto de Morsi "não permite detenções temporárias em crimes relacionados à imprensa".

Com a nova legislação, o presidente parece querer se esquivar de críticos que o acusam de perseguição a jornalistas e meios de comunicação contrários a suas políticas. De acordo com o porta-voz da presidência, Afifi - acusado semana passada, quando outro jornalista também foi indiciado pelos promotores egípcios - será solto.

Afifi foi indiciado por injúria contra Morsi no dia 13, juntamente com o diretor da emissora El Farain, Tawfiq Okasha, conhecido defensor do regime de Hosni Mubarak, deposto em fevereiro de 2011 após protestos generalizados no Egito.

Vários outros profissionais da imprensa foram acusados de delitos, principalmente de criticar Morsi e fazer coberturas que incitariam a população a se opor à Irmandade Muçulmana - que tem o presidente como integrante ativo.

Em uma sessão tumultuada, o Tribunal Penal de Gizé determinou a prisão de Afifi até o dia 16, data para a qual foi adiado o julgamento - para que a defesa tivesse tempo de preparar sua argumentação, segundo explicou o advogado do jornalista.

Além de insultar o presidente em uma publicação, Afifi é acusado de "divulgar rumores e informações falsas que podem prejudicar a ordem pública e propagar o pânico entre a população".

Seu julgamento será o primeiro a que um jornalista será submetido no país desde a deposição de Mubarak. O caso provocou críticas de associações de defesa da liberdade de expressão dos países ocidentais.

Sinai. Washington está pressionando o Egito para que seja transparente com Israel sobre sua presença militar na Península do Sinai - o que prevê a aprovação dos israelenses, segundo o acordo de paz entre os países -, após a morte de 16 guardas em um posto de fronteira no local. / REUTERS e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.