Egito: presidente diz que não interferirá no Judiciário

O presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi, declarou nesta terça-feira que não vai interferir nas decisões do Judiciário do país, um dia depois de três jornalistas da Al-Jazeera terem sido sentenciados a até dez anos de prisão, veredicto que provocou várias críticas internacionais.

Agência Estado

24 de junho de 2014 | 10h57

A sentença, relacionada a acusações de terrorismo, surpreendeu os familiares dos jornalistas e provocou uma enxurrada de críticas e pedidos para que El-Sisi interviesse no caso.

Segundo a Constituição egípcia, o presidente tem o direito de emitir um perdão ou comutar as penas. Autoridades norte-americanas, australianas e de outros países pediram a El-Sisi que use este direito para libertar imediatamente os jornalistas.

Grupos de direitos humanos descreveram o julgamento como motivado politicamente e uma fraude que reflete as tensas relações entre o Egito e a emissora de televisão do Catar.

O Catar tem sido um forte partidário dos islamitas da região e em particular do ex-presidente egípcio Mohammed Morsi, derrubado pelos militares.

Com um tom desafiador, El-Sissi declarou que sempre disse que não iria interferir em assuntos judiciais e respeitaria a independência do tribunal. O presidente disse que chamou o ministro da Justiça na noite de segunda-feira para repetir essa afirmação, apesar de todo o debate a respeito da sentença dada aos jornalistas.

"Eu disse a ele que não vamos interferir em assuntos judiciais porque o Judiciário egípcio é independente", disse ele durante cerimônia de graduação, em discurso transmitido em rede nacional de televisão. Ele também pediu que as pessoas parem de comentar e de criticar as decisões do tribunal e repetiu mais uma vez: "não interferiremos nos veredictos do Judiciário".

O presidente disse que para assegurar as instituições do Estado, não haverá interferências em seus assuntos. "Se desejamos instituições estatais fortes, devemos respeitar as decisões judiciais e não comentá-las mesmo que outros não compreendam essas decisões", afirmou.

A promotoria acusou os três jornalistas - o australiano Peter Greste, o canadense egípcio Mohamed Fahmy e o egípcio Baher Mohammed - de promover ou pertencer à Irmandade Muçulmana, da qual Morsi faz parte, e de falsificar a cobertura que fizeram dos protestos com o objetivo de prejudicar a segurança do Egito e fazer parecer que o país estava a caminho de uma guerra civil. O governo do Egito considera a Irmandade uma organização terrorista. Fonte: Associated Press.

Mais conteúdo sobre:
EgitojornalistasjulgamentoSisi

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.