Egito pressiona Hamas para cessar-fogo na Faixa de Gaza

Delegação islâmica, que diz ter observações substanciais sobre proposta, irá negociar com inteligência egípcia

Agências internacionais,

13 de janeiro de 2009 | 13h57

Representantes egípcios reuniram-se nesta terça-feira, 13, com integrantes do Hamas no Cairo para discutir uma proposta de trégua. O Egito fez um apelo oficial para que o grupo islâmico assine o acordo "agora", na expectativa de anunciar um cessar-fogo antes do final da semana. Por sua vez, o Hamas declarou que tem "observações substanciais" sobre a proposta egípcia. "Há observações substanciais, relacionadas à posição da resistência em terra", disse Moussa Abu Marzouq, importante autoridade do Hamas, à TV Al Jazeera.   A delegação do Hamas ainda participará de outra rodada de conversações "cruciais" com o chefe da inteligência egípcia, Omar Suleiman, nesta terça-feira, quando a ofensiva israelense entra no seu 18.º dia e seguem os esforços diplomáticos para pôr fim aos confrontos. O Ministério da Defesa israelense também indicou que o líder nas negociações da parte de Israel irá para o Egito na quarta-feira para o diálogo de cessar-fogo.    Veja também: Ofensiva em Gaza é boa para os palestinos, diz Israel Forças israelenses intensificam ofensiva nos subúrbios de Gaza Aumenta suspeita do uso de armas ilegais no conflito em Gaza Secretário-geral da ONU lidera esforço diplomático Tropa fica sob fogo vindo da Jordânia, afirma Israel Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Secretário-geral da ONU apela por trégua Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques         "Estamos trabalhando seriamente com o Hamas, precisamos encerrar as incertezas e eles precisam dizer sim, agora, ao nosso plano", afirmou um alto diplomata egípcio, que pediu para não ser identificado, à agência France Presse. "O Egito espera que a máquina de guerra israelense possa ser parada até o final da semana e que os massacres acabem". Mais de 900 palestinos já morreram e 4 mil ficaram feridos nos confrontos.   O diplomata disse que Israel "parece agora concordar" com o plano de trégua lançado pelo presidente egípcio Hosni Mubarak uma semana atrás, mas o Hamas resiste a assinar o acordo. O plano pede um cessar-fogo por um tempo determinado, assegurando os túneis que Israel afirma que são usados para contrabandear armas do Egito para Gaza, a abertura de enclaves na fronteira e o restabelecimento das conversações com os palestinos.   "Os delegados do Hamas provenientes de Damasco demonstraram o luxo da paciência enquanto as pessoas em Gaza estão mais na pressa de acabar com isso", disse o diplomata. "A Síria poderia, claramente, ter um papel mais positivo". O grupo de negociadores do Hamas é composto por cinco membros, três da liderança política exilada em Damasco e dois da Faixa de Gaza.   "O problema é que até agora não tem havido negociações de verdade, compromisso ou respostas claras desse grupo", acrescentou o diplomata. Os delegados do Hamas, sediados na Síria, têm feito várias viagens entre Cairo e Damasco nos últimos dias, informando aos líderes exilados do grupo os resultados de suas conversações.   Diferenças   Dois pontos de discórdia são a possível presença de uma força multinacional de observadores no lado palestino da fronteira de 14 quilômetros com o Egito e a duração de uma eventual trégua. "O Hamas diz que não aceita a exigência desta força enquanto Israel também não aceitar. O Estado judeu quer uma trégua por tempo indefinido e os islâmicos querem um cessar-fogo por um período fixo, cerca de seis meses", disse o diplomata.   Ele afirmou também que o principal negociador israelense, o funcionário de defesa Amos Gilad, está "pronto e esperando" para retornar ao Cairo depois de uma rodada de conversações com Suleiman. Os dois homens quebraram a última trégua de seis meses que terminou em dezembro, anunciando a última onda de violência. Suleiman negociou as tréguas anteriores com facções palestinas em 2001, 2003 e 2005.   "Parece, por meio de vários sinais, que Israel aceita nosso plano mas não está pronto para anunciar isso publicamente", disse o diplomata egípcio. "O conceito da nova trégua não mudou, mas além do acordo entre as duas partes de não usar violência ele precisa ser aplicado com obrigações, garantias e controles multilaterais", continuou a fonte.   Tais garantias e controle precisam incluir a defesa de fronteiras - Israel exige o fim do tráfico de armas por meio dos túneis para Gaza - e a "abertura da passagem pela fronteira e o levantamento do cerco", como exigido pelos palestinos.   Reconciliação palestina   Outro elemento chave é o processo de reconciliação palestina que tem como objetivo reunir novamente o Hamas e o presidente Mahmoud Abbas -, do rival Fatah - que controla a Cisjordânia.   O líder político do Hamas, Ismail Haniyeh, disse segunda-feira em Gaza que o plano de trégua deve estipular "a retirada das forças sionistas", bem como o "fim da agressão" e o fim do bloqueio com a abertura dos postos de fronteira. "O plano egípcio vai funcionar", disse o diplomata.

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