Egito proíbe teste de virgindade

Corte repudia prática de militares contra presas

CAIRO, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2011 | 03h02

Uma corte civil egípcia determinou ontem que o Exército acabe com os testes forçados de virgindade nas mulheres detidas em prisões militares.

A decisão foi tomada depois que Samira Ibrahim abriu processo contra o Exército, afirmando que militares forçaram ela e outras seis mulheres a submeter-se a testes de virgindade em março, após terem sido presas em protesto na Praça Tahrir, no Cairo.

Samira foi sentenciada a 1 ano de prisão por insultar autoridades, participar de assembleia não autorizada e desobedecer a um toque de recolher. Ela abriu uma ação judicial contra o soldado que fez o teste de virgindade.

Em um emotivo testemunho postado no YouTube, Samira, de 25 anos, contou como ela e outras mulheres foram agredidas, eletrocutadas e acusadas de serem prostitutas. Ela disse que o teste de virgindade foi realizado por um soldado uniformizado, diante de dezenas de pessoas. "Quando saí, eu estava destruída fisicamente, mentalmente e emocionalmente."

Um oficial do Exército foi citado em maio dizendo que os testes eram executados para que os militares não fossem acusados de estuprar as presas. "Não queremos que elas digam que foram sexualmente atacadas ou violentadas, nem que queríamos provar que elas não eram virgens em primeiro lugar", disse ele.

Mas o chefe da inteligência militar, Adel Mursi, afirmou que a decisão da corte civil não terá nenhuma validade, pois não há uma lei que force os testes de virgindade em presas. "Se alguém realiza esse teste, então isso é um ato individual e a pessoa estará sujeita a investigação criminal."

Uma autoridade da Justiça militar afirmou que os casos de testes de virgindade forçados foram transferidos para a Suprema Corte Militar e os acusados de participar dos confrontos violentos e de violações dos direitos humanos dos manifestantes serão processados.

Os militares receberam status de heróis no começo dos levantes contra o ditador Hosni Mubarak por ficarem ao lado da população. Mas o Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o poder, tem recebido críticas por usar táticas do antigo regime. / AFP e REUTERS

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