Egito quer apoiar combate ao Estado Islâmico

O presidente do Egito, general Abdel-Fattah el-Sissi, disse neste sábado que está preparado para dar todo o suporte na luta contra o Estado Islâmico, mas disse que é necessária uma "estratégia abrangente" para lidar com o extremismo religioso na região.

AE, Estadão Conteúdo

20 de setembro de 2014 | 19h05

Em sua primeira entrevista para um veículo de imprensa estrangeiro desde que assumiu o cargo, El-Sissi procurou mostrar para a Associated Press que ele e o Egito estão na vanguarda do combate ao extremismo, citando esse fator para o golpe liderado por ele, que derrubou o presidente islâmico Mohammed Morsi no ano passado. Ele disse que os egípcios perceberam o perigo do "Islã político" e que, se não tivesse agido, a nação mais populosa do mundo árabe estaria enfrentando uma guerra civil, como acontece agora no Iraque e na Síria.

"Eu alertei sobre esse grande perigo um ano atrás. Mas isso não estava claro para as outras pessoas até os eventos no Iraque, quando o Estado Islâmico varreu boa parte do país", disse o presidente egípcio. Questionado se seu país poderia oferecer acesso ao espaço aéreo ou suporte logístico para os ataques contra o Estado Islâmico, ele disse que fará "o que for necessário", mas não deu mais detalhes. El-Sissi descartou o envio de tropas por terra, afirmando que o Exército do Iraque é forte o bastante para lidar com os insurgentes.

Na entrevista, realizada no palácio presidencial Heliopolis, o general disse que é preciso adotar uma estratégia mais ampla para lidar com o extremismo religioso na região, que envolveria o combate à pobreza e a melhoria da educação. Referindo-se ao próprio país, ele alegou que a Irmandade Muçulmana teve uma chance de governar o Egito, mas "escolheu o confronto" contra os manifestantes, que pediam a renúncia de Morsi.

Desde que tomou o poder, em julho de 2013, El-Sissi promoveu uma forte perseguição aos membros da Irmandade Muçulmana, que foi declarado um movimento terrorista. Mais de 1 mil foram mortos e outros 20 mil foram presos. Mesmo assim, o general diz que o grupo poderia voltar à política, caso renuncie à violência. "Para qualquer um que não use a violência, o Egito é muito piedoso. A chance para a participação na política existe".

O presidente também disse que não pode interferir na decisão da Justiça sobre o caso de três jornalistas da rede de televisão Al-Jazeera que foram condenados a sete anos de prisão por supostamente incentivar o terrorismo. O julgamento foi considerado uma farsa por grupos de defesa dos direitos humanos e atraiu fortes críticas da comunidade internacional. "Se o Egito quiser um Judiciário independente, não podemos aceitar críticas ou comentários sobre as decisões", afirmou. Fonte: Associated Press.

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