Egito quer que coalizão apoiada pela ONU atue na Líbia

O presidente do Egito, Abdel-Fattah el-Sissi, disse em entrevista a uma rádio, levada ao ar nesta terça-feira, que a criação de uma coalizão apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) é a melhor forma de ação para livrar a Líbia de extremistas islâmicos.

Estadão Conteúdo

17 de fevereiro de 2015 | 11h13

O general El-Sissi assumiu o governo após um golpe em 2012 que derrubou Mohammed Morsi, o primeiro presidente civil e democraticamente eleito no país. Em entrevista rádio francesa Europe 1, ele afirmou que os ataques aéreos egípcios contra posições do grupo Estado Islâmico na Líbia, realizados na segunda-feira, foram um ato de autodefesa.

Os ataques foram uma retaliação ao assassinato por decapitação de um grupo de cristãos coptas egípcios. Imagens das mortes foram divulgadas pelo Estado Islâmico na noite de domingo.

"Não vamos permitir que eles cortem as cabeças de nossas crianças", disse El-Sissi. Perguntado se gostaria de uma coalizão apoiada pela ONU atuando na Líbia, ele declarou: "Creio que não exista outra opção".

"Nós abandonamos o povo líbio como prisioneiros das milícias...as milícias têm de abandonar suas armas e devem trabalhar num contexto civil. Temos de desarmá-las e evitar que armas caiam nas mãos dos extremistas", disse El-Sissi em suas primeiras declarações públicas após o Egito ter enviado caças F-16 que realizaram pelo menos duas rodadas de ataques contra a Líbia na segunda-feira.

"O que aconteceu é um crime, um monstruoso crime terrorista no qual nossas crianças tiveram suas gargantas cortadas na Líbia. É um tipo de autodefesa aceito pela comunidade internacional. Não vamos permitir que eles cortem as cabeças de nossas crianças", disse ele.

Os ataques egípcios atraíram duras críticas de Omar al-Hassi, o primeiro-ministro apoiado por milícias. O Parlamento e o governo eleitos e apoiados pelo Ocidente foram forçados a se reunir fora da capital, quando Trípoli foi tomada por milícias islâmicas e tribais no ano passado. Um antigo Parlamento, apoiado pelas milícias, declarou-se legítimo e formou um governo rival com Al-Hassi na liderança.

"Esta agressão traiçoeira e o terrorismo colocados em prática pela Força Aérea egípcia é uma violação da soberania da Líbia e uma escandalosa violação do capítulo da ONU e da lei internacional", declarou Al-Hassi, que acusou o Egito de atacar a Líbia "sem qualquer prova sólida" de que estavam realmente atacando os militantes responsáveis pelo assassinato dos cristãos egípcios. Fonte: Associated Press.

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