Egito reage e convoca embaixador em Tel-Aviv

Presidente pede cessar-fogo imediato e solicita reunião da ONU e Liga Árabe

CAIRO, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2012 | 02h06

O presidente do Egito, Mohamed Morsi, convocou ontem seu embaixador em Israel após o ataque aéreo israelense à Faixa de Gaza que matou o líder da ala militar do Hamas, Ahmed Jabari, e mais nove pessoas. Mais cedo, em comunicado, a chancelaria egípcia pedira o fim imediato da violência no território palestino e a Irmandade Muçulmana criticou Israel.

Em um pronunciamento lido por seu porta-voz, Yasser Ali, na TV estatal, Morsi confirmou ter chamado de volta o embaixador Atef Salem de Tel-Aviv para o Cairo, o que no jargão diplomático indica sinal de protesto. Morsi também defendeu reuniões da Liga Árabe e do Conselho de Segurança da ONU para discutir a crise e pediu um cessar-fogo imediato entre Israel e o Hamas.

Antes do pronunciamento do presidente egípcio, seu chanceler já havia pedido calma a ambas as partes. "Há o risco de uma escalada de violência e isso tem possíveis efeitos negativos na estabilidade regional", declarou o ministro de Relações Exteriores Mohamed Kamel Amr.

O Partido Justiça e Liberdade, do presidente Morsi e braço político da Irmandade Muçulmana, em um tom mais duro, qualificou de "crime" o ataque ao comandante militar do Hamas e pediu uma rápida resposta do mundo árabe e da comunidade internacional contra Israel.

O movimento islâmico egípcio inspirou a criação do grupo palestino. A tensão entre o Hamas e Israel é a maior desde que o líder da Irmandade assumiu o poder no Egito, em julho, com as eleições livres que se sucederam à queda do ex-ditador Hosni Mubarak, aliado dos israelenses.

"Israel tem de levar em consideração as mudanças no mundo árabe, especialmente no Egito", diz o comunicado da Irmandade. "O Egito não deve permitir que os palestinos estejam sujeitos à agressão israelense, como ocorreu no passado."

Israel e Egito têm, desde 1979, um acordo de paz. Desde a Primavera Árabe, no entanto, as relações entre os dois países têm se deteriorado. Ataques de militantes lançados na Península do Sinai contra postos de fronteira são comuns.

A Autoridade Palestina também criticou a operação israelense. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, pediu uma reunião urgente da Liga Árabe para discutir o caso. Manifestações contra a ofensiva israelense na Faixa de Gaza foram registradas no Egito e na Turquia. Síria e Irã, dois aliados tradicionais do Hamas, também condenaram a ofensiva. / AP e REUTERS

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