Egito recebe palestinos e cresce pressão por cessar-fogo

O Egito, que já estava permitindo envio de ajuda humanitária através da fronteira, começou a receber hoje feridos pelos ataques israelenses contra a Faixa de Gaza. Pela manhã, caminhões carregando ajuda humanitária puderam entrar na Faixa de Gaza, após guardas egípcios abrirem o terminal de Rafah. Enquanto isso, crescem os protestos nos países do Oriente Médio e na Europa contra os bombardeios israelenses. Em Atenas, 300 manifestantes apedrejaram a Embaixada de Israel na Grécia e entraram em choque com a polícia. Os governos da França e da Turquia voltaram a pedir um cessar-fogo imediato.Os ministros de Relações Exteriores dos países da União Européia vão realizar um encontro urgente amanhã em Paris sobre a escalada da violência na Faixa de Gaza, informou o Ministério de Relações Exteriores da França. "Os ministros vão investigar como a União Européia pode ajudar a aliviar a crise atual, com os esforços da comunidade internacional, especialmente o secretário-geral da ONU", diz a nota do Ministério. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ali Babacan, alertou hoje que os bombardeios de Israel contra alvos do Hamas em Gaza ameaçam levar a uma escalada que espalhará a crise por toda a região."É preciso ser assinado um cessar-fogo imediato", disse Babacan, em coletiva de imprensa junto ao ministro das Relações Exteriores do Egito, Aboul Gheit, em Ancara. "Do contrário, a situação não ficará limitada à Faixa de Gaza, mas poderá engolfar outros desafios na região e tornar o cenário inteiro muito pior", disse Babacan. Segundo ele, a Turquia suspendeu seu papel de mediadora nas conversações de paz entre Israel e a Síria, embora mantenha os canais abertos tanto com o governo israelense quanto com a Síria e com o grupo islâmico Hamas. No domingo, a Síria anunciou que abandonava as conversações com a Israel por causa dos ataques na Faixa de Gaza.Em Paris, o Ministério das Relações Exteriores da França também informou que aumentará o envio de alimentos e medicamentos à população palestina da Faixa de Gaza, e renovou o pedido por um cessar-fogo. "A França e a União Européia, que sempre foram as maiores doadoras de ajuda econômica e humanitária à Faixa de Gaza, estão prontas a aumentar o auxílio frente à emergência", disse o porta-voz da chancelaria francesa, Romain Nadal.Nadal também reafirmou o apoio da França a uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que urge o retorno à situação de trégua entre o Hamas e o Estado de Israel que vigorou durante seis meses e acabou em 19 de dezembro. O Hamas recusou-se a renovar a trégua. ProtestosUma manifestação hoje em Atenas contra os bombardeios israelenses reuniu 300 pessoas, gregos e árabes, que jogaram pedras contra a Embaixada de Israel. A polícia grega usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Já em Beirute, capital do Líbano, dezenas de milhares de manifestantes, em sua maioria do grupo xiita Hezbollah, saíram em passeata nas ruas do sul da cidade, reduto dos militantes xiitas, contra os bombardeios israelenses. A manifestação em Beirute foi a maior no mundo árabe contra as incursões israelenses. O líder do grupo, o xeque Hassan Nasrallah, fez um discurso exibido em telão, a partir de um lugar escondido, para os manifestantes, que carregavam bandeiras do Líbano, da Palestina e do Hezbollah. "A Força Aérea de Israel fracassará em destruir a vontade dos combatentes (palestinos) dispararem foguetes", disse Nasrallah, enquanto a multidão gritava "morte a Israel". Nasrallah disse que qualquer incursão terrestre israelense contra a Faixa de Gaza custará caro ao Exército de Israel em vidas de soldados. Ele também disse que se Israel fizer isso fracassará, como fracassou na guerra do verão de 2006 contra o Hezbollah no sul do Líbano.No Egito, que foi particularmente criticado nos últimos dias por ter fechado a fronteira com a Faixa de Gaza, milhares de pessoas fizeram uma manifestação no Cairo e pediram a intervenção dos exércitos dos países árabes para proteger a população palestina. Os manifestantes se reuniram no centro do Cairo, com a presença de líderes da proscrita Irmandade Muçulmana. A polícia vigiou os manifestantes com um forte esquema de segurança e não ocorreram incidentes.No Irã, um grupo político conservador, a Sociedade dos Clérigos Combatentes, abriu inscrições no seu website para voluntários que desejem lutar contra Israel na Faixa de Gaza. Cerca de 3,5 mil pessoas se inscreveram hoje. O grupo disse que decidiu abrir as inscrições após o líder supremo do Irã, o grão aiatolá Ali Khamenei, ter emitido no domingo um decreto religioso a todos os muçulmanos do mundo, no qual afirma que quem for morto enquanto estiver defendendo os palestinos de Gaza será considerado um mártir. O decreto de Khamenei ter valor religioso e não é considerado uma decisão do governo da República Islâmica do Irã.AssistênciaHoje de manhã, autoridades egípcias permitiram que caminhões carregados com alimentos e remédios entrassem na Faixa de Gaza através do posto de fronteira em Rafah, ao mesmo tempo que alguns feridos palestinos foram admitidos em território egípcio e levados a hospitais. Um funcionário egípcio informou que nove palestinos de Gaza foram hospitalizados no Egito.Perto do começo da tarde, ambulâncias levaram os feridos de Gaza para Rafah, onde doze ambulâncias egípcias esperavam para transportar mais feridos ao Egito. Um paramédico egípcio, falando sob anonimato, disse que o Egito transportará hoje entre 20 e 30 feridos para o hospital de El-Arish, no Sinai. Mais de 360 palestinos foram mortos e outros mil ficaram feridos após o início dos bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza, no sábado. Com informações da Dow Jones.

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