Egito registra mais imolações após caso na Tunísia

Mais três egípcios atearam fogo a si mesmos na sexta-feira, aparentemente seguindo o exemplo do jovem tunisiano cuja autoimolação deu origem à recente rebelião popular no país.

REUTERS

21 de janeiro de 2011 | 20h36

Um desempregado egípcio de 35 anos ateou fogo a si mesmo e ficou gravemente ferido, segundo fontes médicas e de segurança. E dois operários da indústria têxtil -- setor do qual vários funcionários se envolveram em protestos contra o governo anos atrás -- também jogaram combustível nos seus corpos e sofreram queimaduras.

Em 2006, milhares de tecelões conseguiram aumentos salariais depois de participarem de uma greve, o que estimulou uma onda de paralisações e outros protestos no país.

Houve três outros casos de autoimolação no Egito, mas testemunhas e fontes disseram que eles foram motivados principalmente por fatores psicológicos, e não por protestos políticos.

Analistas dizem que várias imolações e tentativas no Egito -- já são mais de 12 -- parecem ser motivadas por queixas semelhantes às dos tunisianos que foram às ruas neste mês e derrubaram o governo do presidente Zine al Abidine Ben Ali.

Os protestos da Tunísia começaram depois do suicídio, em 17 de dezembro, de um tunisiano de 26 anos que se matou com fogo depois de ser proibido pela polícia de vender legumes como ambulante, no interior do país.

Depois disso, houve casos de imolações também na Argélia e Mauritânia.

A exemplo do que acontece na Tunísia, muitos egípcios se queixam da pobreza, do desemprego e da repressão governamental. Não há sinais, no entanto, de que esteja em curso uma rebelião que possa desestabilizar o governo do presidente Hosni Mubarak, no poder desde 1981.

Num dos casos ocorridos no Egito, fontes de segurança disseram que Salah Saad Mahmoud, de 35 anos, havia chegado ao Cairo na esperança de arrumar trabalho e juntar dinheiro para comprar uma casa e se casar, planos que não conseguiu concretizar. Ele ateou fogo ao corpo no meio de uma rua, e as chamas foram debeladas por transeuntes.

A instituição islâmica egípcia Al Azhar, patrocinada pelo Estado, alertou que o suicídio, por qualquer razão, é condenado pela religião islâmica. Na sexta-feira, mesquitas de todo o país dedicaram sermões a esse tema.

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