Egito se aproxima do Irã para tentar conter guerra civil síria

Crise tem sido discutida entre turcos, egípcios, iranianos e sauditas, evitando olhar sob o prisma de EUA e Israel

CAIRO , O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h06

O presidente egípcio, Mohamed Morsi, tem se aproximado do Irã e de outras potências regionais para conter a escalada da violência na Síria. A iniciativa é um arranjo ousado feito pelos quatro países mais importantes da região. Além de Egito e Irã, ela inclui também Arábia Saudita e Turquia - que já recebeu 80 mil sírios e fechou a fronteira aos refugiados.

O plano tornou-se prioridade da política externa do primeiro presidente islâmico do país, eleito há dois meses. Após tentativas fracassadas da Liga Árabe e da ONU, a iniciativa de Morsi estabelece uma direção mais independente para a política externa do Egito, um país que ainda tenta superar sua própria transição política. "Estamos determinados a fazer com que essa iniciativa dê certo", disse Yasser Ali, porta-voz de Morsi. Segundo ele, a crise síria será a principal questão tratada na visita do presidente egípcio à China, que com Irã e Rússia formam o principal pilar de apoio do presidente Bashar Assad.

A nova direção da política externa egípcia tem causado preocupação em Washington. "Por enquanto, Morsi tem escapado à divisão tradicional do Oriente Médio feita pelos americanos, que coloca países aliados, como Egito e Arábia Saudita, de um lado, e o Irã, do outro", afirmou o analista Emad Shahin, da Universidade Americana do Cairo.

Embora tenha colaborado com rivais dos EUA na região, Morsi parece, ao mesmo tempo, em sintonia com os objetivos de Washington e de seus aliados no Oriente Médio, e busca acabar com a violência na Síria.

"Isso é uma reconfiguração da política regional e internacional da região", disse Shahin. "É óbvio que ela causa preocupação em Washington e Tel-Aviv, mas não acho que ela seja uma política externa caracterizada pelo confronto. É uma política externa regional, que tenta resolver uma questão regional entre os quatro países mais influentes da região, sem olhar pelo prisma dos EUA e de Israel." / NYT

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