Egito se mantém em alerta à espera de novos protestos

Espera-se que manifestações desta sexta-feira sejam as maiores até agora; governo prometeu tomar 'medidas decisivas'.

BBC Brasil, BBC

28 de janeiro de 2011 | 09h21

As forças de segurança do Egito permaneciam nesta sexta-feira em alerta máximo para controlar as esperadas manifestações contra o governo.

O governo disse estar aberto ao diálogo, mas também advertiu que tomará "medidas decisivas" após três dias de protestos.

Milhares de pessoas são esperadas nos protestos desta sexta-feira, pelo quarto dia consecutivo.

O governo foi acusado de bloquear serviços de internet e de envio de mensagens por celulares para impedir a convocação de novos protestos, mas as autoridades egípcias negam.

Também há relatos de prisões de membros da oposição durante a madrugada. O principal alvo das prisões teria sido o grupo proibido Irmandade Muçulmana, após uma manifestação de apoio aos protestos desta sexta-feira.

Na quinta-feira, o líder opositor egípcio Mohamed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e prêmio Nobel da Paz de 2005, retornou ao Cairo e prometeu se unir aos protestos.

"Gostaria que não tivéssemos que ir às ruas para forçar o regime a agir", afirmou ElBaradei ao chegar ao país.

Na madrugada, confrontos entre manifestantes e forças de segurança foram registrados na cidade de Suez.

Pelo menos sete pessoas morreram e até mil foram presas desde o início dos protestos, na terça-feira.

As manifestações no Egito foram inspiradas pelos protestos populares na Tunísia que levaram à derrubada do presidente Zine al-Abidine Ben Ali, há duas semanas.

O presidente americano, Barack Obama, descreveu os protestos como o resultado de "frustrações reprimidas" e disse que frequentemente sugeriu a Mubarak realizar reformas.

Obama afirmou ter pedido tanto ao governo quanto aos manifestantes que não recorram à violência.

Sites na internet

Espera-se que as manifestações desta sexta-feira no Egito sejam as maiores até agora. Sites na internet convocaram a população a se juntar aos protestos após as rezas semanais.

Os organizadores pediram às pessoas que compareçam em peso, afirmando que a religião dos manifestantes não é relevante.

Na noite de quinta-feira, sites como Facebook ou Twitter começaram a apresentar problemas, assim como o envio de mensagens por celular.

Um internauta do Cairo, que pediu para se manter anônimo, disse à BBC que as mensagens de celular não estavam sendo recebidas.

Segundo a agência de notícias Associated Press, a força de elite antiterrorismo foi deslocada até locais importantes da capital egípcia, incluindo a praça Tahrir, onde ocorreram os primeiros protestos.

O Ministério do Interior do Egito advertiu que poderá tomar "medidas decisivas" contra os manifestantes.

Um advogado da Irmandade Muçulmana disse à BBC que dezenas de seus membros foram presos.

Apesar da proibição oficial, a Irmandade Muçulmana se mantém como o maior e mais organizado movimento de oposição do país.

O presidente Hosni Mubarak, que está no poder desde 1981, não foi visto em público desde o início das manifestações.

A BBC apurou que chefes dos serviços de segurança teriam dito a Mubarak, de 82 anos, que podem conter qualquer excesso nas manifestações desta sexta-feira.

O governo do Egito quase não dá espaço a posições contrárias, e manifestações da oposição são frequentemente proibidas.

Na quinta-feira, o Partido Nacional Democrático, de Mubarak, disse que estava pronto para o diálogo, mas não ofereceu nenhuma concessão aos manifestantes.

Safwat el-Sherif, secretário-geral do partido, disse: "O PND está pronto para o diálogo com o público, a juventude e os partidos legais. Mas a democracia tem suas regras e seus processos. A minoria não pode forçar seu desejo sobre a maioria".

O governo dos Estados Unidos, que tem o Egito como um de seus mais importantes aliados no mundo árabe, vem até agora se mostrando cauteloso em suas observações sobre os protestos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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