Egito suspende fornecimento de gás a Israel

Principal elo econômico entre os ex-inimigos, venda vinha sendo criticada no Cairo; questão 'não é política', alega governo egípcio

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2012 | 03h06

O Egito anunciou no domingo a suspensão do fornecimento de gás natural a Israel, há 20 anos o principal pilar da relação econômica entre os antigos inimigos. Desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro do ano passado, a venda de combustível vinha sendo publicamente atacada no Cairo. Em pouco mais de um ano, os dutos que levam o gás da Península do Sinai a Israel foram alvo de mais de 12 atentados.

Segundo o governo egípcio, entretanto, o corte do fornecimento tem motivação "contratual e não política". O lado israelense supostamente atrasou pagamentos por quatro meses.

Cerca de 40% do gás usado para a produção de eletricidade em Israel vem do Egito.

Em Israel, o governo primeiro acusou o Egito de ameaçar os acordos de paz de Camp David, de 1979, para, em seguida, moderar o discurso.

Ontem à noite, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Bibi Netanyahu, tentou evitar que o caso se transformasse em uma crise diplomática. "Não vemos esse corte como uma consequência dos eventos políticos (no Egito)", afirmou o premiê.

Horas antes, o ministro das Finanças de Israel, Yuval Steinitz, havia acusado o Egito de ameaçar os acordos que encerraram três décadas de guerra. "É um precedente perigoso que mina os pactos entre Israel e Egito", declarou.

O Egito tornou-se, em 1979, o primeiro país árabe a reconhecer Israel. Em contrapartida, israelenses desocuparam a Península do Sinai. Os acordos deram início a uma "paz fria", reforçada pelo interesse mútuo em manter a fronteira tranquila e fazer avançar acordos comerciais. / NYT

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