Egito vota pela primeira vez após queda de Mubarak

Os egípcios começaram na manhã desta segunda-feira a votar, na primeira eleição desde a queda do ditador Hosni Mubarak, deposto em fevereiro em um dos momentos mais importantes dos protestos da chamada Primavera Árabe. A eleição parlamentar foi ameaçada por distúrbios nas ruas na semana passada, e a população está polarizada e confusa sobre o rumo a ser tomado pela nação.

AE, Agência Estado

28 de novembro de 2011 | 08h36

Na escola Omar Makram, em um bairro da classe trabalhadora no centro Cairo, Shubra, homens e mulheres estavam em filas separadas antes da abertura das urnas, às 8h.

"Não era normal votar antes, nossas vozes eram completamente irrelevantes", disse Mona Abdel Moneim, uma das várias mulheres que votavam pela primeira vez na vida. Durante anos, poucos egípcios votavam, pois todas eleições eram fraudadas pelo partido governista.

A Irmandade Muçulmana, maior e mais bem organizado grupo do Egito, e seus aliados islâmicos devem ir bem na disputa. Egípcios liberais e seculares temem que a Irmandade tente impor uma visão rígida do islamismo como a lei do país.

Na manhã desta segunda-feira, alguns milhares de manifestantes estavam na Praça Tahrir, protestando por um governo civil. A junta militar no poder seguiu com o cronograma eleitoral, apesar dos protestos.

A eleição que começou nesta segunda-feira é para eleger os 498 representantes da Assembleia do Povo, a Câmara Baixa. Ela ocorrerá em três estágios, com diferentes regiões do país votando em cada momento. A votação desta segunda-feira ocorre em nove províncias, onde vivem 24 milhões de egípcios. A população total do país é de 85 milhões. Entre as áreas que votam nesta segunda-feira estão Cairo e Alexandria, segunda maior cidade do país.

A eleição para a Câmara Baixa termina em janeiro. O processo eleitoral então recomeçará, para a escolha da Câmara Alta, com 390 membros, também em três estágios, com fim previsto para março. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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