Ehud Barak anuncia inesperada despedida da política

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, anunciou inesperadamente nesta segunda-feira que está deixando a política, criando uma nova crise no sistema político israelense a apenas algumas semanas das eleições gerais antecipadas.

AE, Agência Estado

26 de novembro de 2012 | 17h41

Ex-primeiro-ministro e militar de carreira mais condecorado de Israel, Barak afirmou que permanecerá no cargo atual até que o novo governo seja formado, depois das eleições de 22 de janeiro de 2013.

O pedido de demissão de Barak pode significar o fim da influência mais moderada sobre o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu, que mantém uma larga vantagem nas pesquisas de intenção de voto e deve reeleger-se com certa facilidade se nada mudar até a eleição.

O militar de carreira, um ex-integrante do Partido Trabalhista que lidera uma pequena facção de centro no Parlamento israelense, frequentemente, serviu como enviado não-oficial de Netanyahu a Washington para amenizar diferenças com o governo do presidente Barack Obama.

A despedida iminente de Ehud Barak acontece em um momento crucial para Israel, quando a nação luta para encontrar seu lugar em meio à queda da velha ordem de autocratas árabes e o surgimento de novos líderes islamitas nos países vizinhos. Israel também deve enfrentar a escolha sobre um eventual ataque ao programa nuclear do Irã, que o Estado judeu teme ser destinado a produzir armas de destruição em massa.

Menos de uma semana atrás, Barak dirigiu uma ofensiva de oito dias contra os militantes do grupo islâmico Hamas, grupo que domina a Faixa de Gaza. O conflito, iniciado para conter os lançamentos de foguetes vindos do sitiado território palestino, terminou com uma frágil trégua.

"Eu não tomei essa decisão [de deixar a política] sem hesitar, mas fiz de todo o coração", disse em uma entrevista coletiva improvisada. Ele também declarou que tem lutado contra a escolha por semanas.

Barak evitou responder repetidamente se aceitaria um cargo de ministro de gabinete em um novo governo, deixando em aberto a possibilidade de que ainda mantém um impacto na política do país. Ainda que a maioria dos ministros de gabinete também mantenha assentos parlamentares, eles não precisam necessariamente serem eleitos.

O ex-primeiro-ministro fez o anúncio mesmo depois de pesquisas mostrarem que seu Partido de Independência ganhou mais espaço na política israelense após a campanha em Gaza.

Apesar do tropeço nas enquetes, Barak ainda poderia lutar por sobrevivência política até a eleição. Pesquisas feitas antes da operação em Gaza não indicavam bons resultados para seu partido, em alguns casos sinalizando que mal conseguiria eleger um deputado para o Parlamento.

"Eu sinto que esgotei minha atividade política, que nunca foi um objeto de desejo para mim. Há muitas maneiras de servir o país, não apenas através da política", ele disse, adicionando que sua decisão foi estimulada em parte pela vontade de passar mais tempo com a família.

Possíveis substitutos incluem o vice primeiro-ministro Moshe Yaalon e o antigo comandante do Exército Shaul Mofaz, que hoje serve como presidente do partido de oposição Kadima. As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelBarak

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.