Ehud Olmert entrega carta de demissão a Shimon Peres

Investigado por corrupção, premiê israelense foi obrigado a renunciar; Tzipi Livni assume liderança do Kadima

Agências internacionais

21 de setembro de 2008 | 14h08

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, apresentou neste domingo, 21, sua renúncia ao presidente israelense, Shimon Peres, na residência do chefe de Estado em Jerusalém. "O primeiro-ministro me apresentou sua renúncia. Não foi uma decisão fácil e sei que para ele foi uma noite difícil", disse Peres depois de se reunir durante meia hora com Olmert, a quem agradeceu por "seus serviços ao Estado" e sua "forma honrosa" de deixar o cargo.   Veja também: Tzipi Livni começa a formar governo de coalizão  À frente do Kadima, Livni terá que provar resistência política Gustavo Chacra: Livni está nas mãos de Barak    Peres acrescentou que pediu a todos os grupos parlamentares que se reúnam com ele para a formação de um novo Executivo. O chefe de Estado israelense se reunirá esta noite com representantes dos quatro principais partidos políticos (Kadima, Likud, Trabalhismo e Shas).   É bem provável que Peres encarregue a ministra de Exteriores, Tzipi Livni, de formar um governo como líder do Kadima, a legenda majoritária na Knesset, o Parlamento do país. A chefe da diplomacia israelense, vencedora das eleições primárias do partido na última quarta-feira, terá então três dias para responder à incumbência e, após esta formalidade, seis semanas para tentar formar um Executivo de coalizão.   Olmert se viu obrigado a apresentar sua renúncia após perder apoio de sua coalizão devido a uma investigação por supostas desmoralizações. O primeiro-ministro interino parabenizou Livni neste domingo e disse que espera que "forme um governo tão em breve quanto seja possível".   A princípio, Livni pretende manter a atual coalizão governamental, que soma 64 das 120 cadeiras do Parlamento israelense: 29 do Kadima, 19 trabalhistas, 12 do partido ultra-ortodoxo sefardita Shas e quatro do Partido dos Aposentados. Se não conseguir constituir um novo Executivo no prazo previsto, Peres pode encarregar outra pessoa da formação do governo ou convocar eleições antecipadas, possivelmente para março de 2009.   Em qualquer dos dois casos, Olmert seguirá como primeiro-ministro interino até que um novo Executivo seja estabelecido. Olmert, de 62 anos, chegou à chefia de governo em janeiro de 2006, por causa do derrame cerebral sofrido pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon, e dois meses depois revalidou seu mandato em eleições gerais.   Escândalos de corrupção   Olmert é investigado por uma série de outras alegações de corrupção, mas nunca foi acusado formalmente ou condenado em nenhum dos casos. Entre eles está uma investigação criminal por suspeitas em torno da compra de um imóvel em Jerusalém. Olmert teria comprado uma casa por preço muito abaixo do valor de mercado, levantando suspeitas de fraude e pagamento de subornos.   Em 2004, Olmert comprou uma casa construída pela empreiteira Alumot num bairro de alto padrão da cidade sagrada pelo equivalente a R$ 2,25 milhões, mais de R$ 600 mil abaixo do valor de mercado. A investigação tenta apurar também se pessoas ligadas ao primeiro-ministro ajudaram a construtora Alumot a obter alvarás ilegais de obras dentro de Jerusalém, aumentando consideravelmente os lucros da empresa. Olmert foi prefeito de Jerusalém por dez anos.   Em outro incidente, Olmert, quando ministro das Finanças em 2005, teria tentado influenciar a venda do controle do Estado sobre o segundo maior banco do país, o Banco Leumi, em favor de duas pessoas próximas.   Perfil   Ehud Olmert passará à história como um político que chegou à chefia do governo de maneira acidental e não soube aproveitar essa oportunidade. Aos 62 anos, Olmert será obrigado a abandonar o cargo após apenas 32 meses à frente do Governo e uma gestão que esteve dominada por dois eventos - um militar e outro diplomático - e pelos incessantes escândalos de corrupção que, finalmente, o derrubaram.   O acontecimento militar foi o conflito contra a guerrilha Hezbollah em território libanês em 2006, após o que afloraram as primeiras críticas à sua gestão pelo fracasso do Exército israelense ao tentar desmantelar um grupo armado muito inferior em número e equipamentos. Um relatório oficial responsabilizou Olmert pelo fracasso de forma pessoal, o que, no entanto, não o convenceu a abandonar um cargo o qual não parecia estar pronto para ocupar.   Os opositores ao primeiro-ministro lembraram a forma como tinha chegado ao cargo: a inércia política de uma sucessão obrigada pelo derrame cerebral sofrido em janeiro de 2006 por seu antecessor, Ariel Sharon, a quem tinha seguido do Likud ao Kadima dois meses antes.   No entanto, a porta de "possível herdeiro" tinha sido aberta a Olmert em 2004, durante os preparativos da evacuação de Gaza, quando defendeu a retirada diante da opinião pública local. Em março de 2006, revalidou seu mandato em eleições gerais nas quais o Kadima foi o partido mais votado, mas teve que formar um Governo de coalizão com outras legendas.   O outro processo mais significativo de sua gestão como primeiro-ministro é, sem dúvida, a restauração das relações com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e das negociações de paz, lançadas oficialmente na conferência de Annapolis (Estados Unidos), de novembro de 2007.   As partes acertaram firmar, no fim de 2008 ou janeiro de 2009, um acordo de paz que propiciaria o estabelecimento do Estado palestino, um objetivo que agora encontra como obstáculos os atrasos típicos deste tipo de negociação e a crise política gerada pelas suspeitas de corrupção contra Olmert.  

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