EFE/DANIEL KARMANN
EFE/DANIEL KARMANN

EI assume 2º ataque em uma semana na Alemanha

Segundo a polícia, solicitante de asilo sírio havia tentado se matar em duas ocasiões 

O Estado de S. Paulo

25 Julho 2016 | 17h36

BERLIM - O solicitante de asilo sírio de 27 anos que detonou no domingo os explosivos que carregava perto de um festival de música ao ar livre em Ansbach (sul), deixando 15 feridos, havia jurado lealdade ao grupo Estado Islâmico (EI), no segundo atentado cuja autoria foi reivindicada pelos extremistas em uma semana na Alemanha. O grupo reiterou que a ação –que matou o sírio – havia sido cometida por um dos seus “soldados”.

O sírio, que vivia em um centro de acolhida em Ansbach, havia tentado se suicidar em duas ocasiões, e permaneceu internado por um tempo em uma clínica psiquiátrica. Além disso era conhecido da polícia por um crime vinculado a drogas.

As provas da obediência do rapaz ao Estado Islâmico foram encontradas em um vídeo gravado em seu telefone celular. O sírio anunciou explicitamente que agia “em nome de Alá” e “havia jurado lealdade (ao chefe do EI) a Abu Bakr al-Baghdadi”, declarou Joachim Hermann, ministro do Interior da Baviera. 

A agência Amaq, de propaganda da organização extremista, afirmou que o autor do atentado “respondeu aos apelos de atacar os Estados da coalizão que combate o Estado Islâmico” no Iraque e na Síria. 

A procuradoria federal alemã, competente em casos de terrorismo, anunciou ter assumido a investigação e confirmou as suspeitas sobre “a motivação islâmica de Mohammad D”, que levava explosivos em sua mochila antes de detoná-los e ferir 15 pessoas, informou a instância em um comunicado.

No dia 18, um solicitante de asilo afegão (provavelmente paquistanês, segundo a polícia), de 17 anos, feriu com um machado cinco pessoas que viajavam em um trem regional em Wurtzburgo, no ato que também afirmou ter agido em nome do EI.

Neste contexto, o governo alemão rejeitou nesta segunda-feira, 25, qualquer “suspeita generalizada” contra os refugiados após as agressões e os atentados cometidos nos últimos dias. A porta-voz adjunta do governo alemão, Ulrike Demmer, afirmou à imprensa que o risco criminal que os refugiados representam ao país não é proporcionalmente “maior do que o que envolve o restante da população”. 

Mas o medo é grande para o governo da chanceler Angela Merkel, ao constatar a apreensão de boa parte da população ante os imigrantes, que chegaram em número recorde no ano passado. Essa preocupação crescente da população após os acontecimentos dos últimos dias se deve ao fato de que solicitantes de asilo estiveram envolvidos nesses casos.

A onda de agressões contra mulheres na noite de ano-novo em Colônia (oeste), atribuída a migrantes, indispôs uma grande parte da opinião pública contra a generosa política de abertura de Merkel aos refugiados.

Na tentativa de ataque de domingo, o solicitante de asilo sírio, por não ter ingresso, não conseguiu entrar no local onde era realizado o festival de música pop ao ar livre e detonou seus explosivos nas proximidades, deixando 15 feridos, 4 deles em estado grave, embora nenhum corra risco de morrer.

Autoridades esclareceram que o autor do ataque, cujo pedido de asilo foi negado há um ano, deveria ter sido expulso à Bulgária. Elas investigam porque isso não ocorreu. / AFP 

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