EI cerca tumba de herói otomano e põe Turquia em alerta

Vice-premiê turco disse que governo renovará,na quinta-feira, mandatos para combater no Iraque e na Síria

ANCARA, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2014 | 02h01

O vice-primeiro-ministro turco, Bulent Aric, disse ontem que o Parlamento do país votará ainda nesta semana uma medida que permite que forças estrangeiras façam incursões na Síria e no Iraque a partir de seu território para proteger refugiados e fazer a segurança da fronteira.

A declaração de Aric ocorre após o avanço do Estado Islâmico (EI) sobre regiões na fronteira da Síria com a Turquia e no cerco ao enclave turco em território sírio onde está situado o mausoléu de Suleiman Shah, fundador do Império Otomano.

Cerca de 10 mil soldados turcos foram enviados à fronteira com a Síria por ordem do governo. Tanques e veículos blindados assumiram posições perto da cidade síria de Kobani, à medida que ataques de artilharia dos militantes sunitas se intensificaram e chegaram a atingir solo turco.

Ancara protege a tumba de Suleiman - vista como seu território sob um tratado assinado com a França, em 1921, quando a Síria ainda estava sob domínio francês - com um pelotão de 36 soldados e disse que defenderá o mausoléu, ameaçado de destruição pelos militantes islâmicos.

O Parlamento deve renovar, na quinta-feira, os mandatos que permitem ao Exército da Turquia executar operações na Síria e no Iraque. Arinc disse ontem que a nova permissão permitiria também o uso de território turco por tropas estrangeiras.

O grupo radical islâmico EI controla uma grande porção do Iraque e da Síria, em algumas partes muito próximo da fronteira com a Turquia.

Refém. Os turcos se uniram à coalizão internacional, mas não decidiram ainda qual papel pretendem assumir. O governo de Recep Tayyip Erdogan está insistindo na criação de uma zona neutra na Síria, mas não elaborou os detalhes.

O EI divulgou ontem um terceiro vídeo com o jornalista britânico John Cantlie, no qual ele critica a estratégia do presidente dos EUA, Barack Obama, contra os jihadistas.

Na gravação de cinco minutos e meio de duração, Cantlie, novamente vestido com o macacão laranja, analisa o discurso de Obama no 13.º aniversário dos atentados de 11 de Setembro, que o EI considerou como "decepcionantemente previsível", porque aponta os "Estados Unidos como bons e o EI como o mau".

"Obama diz que derrotará (o EI) com a força aérea e uma coleção heterogênea de combatentes em solo. O EI, por sua parte, dá as boas-vindas ao Exército formado por Obama", declarou o refém. / AP, EFE e REUTERS

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