Sergey Ponomarev/The New York Times
Sergey Ponomarev/The New York Times

EI controla mais de 50% do território da Síria após tomar Palmyra

Segundo ONG que monitora conflito, EI controla 95 mil quilômetros quadrados em 9 províncias sírias; UE diz que jihadistas cometerão crime de guerra caso destruam lugares históricos da cidade

O Estado de S. Paulo

21 de maio de 2015 | 09h58

DAMASCO - O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) já tem em suas mãos mais de 50% do território da Síria, depois que assumiu o controle da maior parte do deserto central do país, onde fica a cidade histórica de Palmyra, tomada completamente na quarta-feira pelos jihadistas. O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira, 21, pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que detalhou a extensão do domínio do EI no país: 95 mil quilômetros quadrados de território, com presença em 9 províncias.

A conquista da cidade é mais um triunfo do grupo radical, que cinco dias antes havia conquistado a cidade de Ramadi, no vizinho Iraque, e indica que o grupo rradical está ganhando força. As duas conquistas do EI aumentam a pressão não apenas sobre Damasco e Bagdá, mas também lançam dúvidas sobre a estratégia dos Estados Unidos de dependerem quase exclusivamente de ataques aéreos para derrotar os jihadistas sunitas.



O Estado Islâmico informou em comunicado publicado por seguidores no Twitter que detém o controle total de Palmyra, incluindo as instalações militares, na primeira vez em que tomou uma cidade diretamente dos militares e forças aliadas do governo do presidente Bashar Assad.

Em outras ocasiões, quando conquistou cidades históricas no Iraque, O EI destruiu antiguidades e monumentos e há o temor de que o grupo devaste Palmyra, uma cidade antiga, patrimônio da humanidade que abriga ruínas da era romana, incluindo templos bem preservados, colunatas e um teatro.

"Esta é a queda de uma civilização", disse o chefe de antiguidades da Síria, Maamoun Abdulkarim, à Reuters por telefone nesta quinta-feira. "A sociedade humana, civilizada, perdeu a batalha contra a barbárie. Eu perdi toda a esperança."

Os confrontos desde quarta-feira na área mataram pelo menos 100 combatentes pró-governo, disse Rami Abdulrahman, chefe do OSDH, que usa uma rede de fontes no território sírio para fazer seus levantamentos. O EI disse que na retirada as forças pró-governo deixaram para trás muitos mortos, mas não deu números precisos.

Em todo o confronto por Palmyra, porém, que durou cerca de uma semana, pelo menos 462 pessoas foram mortas, também de acordo com o OSDH. Dessas vítimas, 71 eram civis, entre elas 12 crianças, das quais pelo menos 22 morreram pelo impacto das bombas do EI e pelos bombardeios da aviação do regime sírio./ REUTERS e EFE

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