'EI cresceu pela paralisia da comunidade internacional'

Extremistas islâmicos controlam um terço do território da Síria e parte da responsabilidade é justamente da comunidade internacional que abandonou a guerra e abriu espaço para o avanço sem precedentes do Estado Islâmico. O alerta é do brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão de Inquérito da ONU para os crimes na Síria. Ontem, a entidade publicou informe e alertou que a rede de jovens europeus e americanos que foram recrutados é uma "bomba relógio", já que muitos dos radicais voltarão a seus países dispostos a promover atos terroristas. A seguir, principais trechos da entrevista:

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2014 | 02h04

Qual a dimensão do EI na Síria?

Se somarmos todas as cidades que controlam, um terço da Síria está nas mãos deles. Eles operam em dois países e se beneficiam de combatentes estrangeiros. O que é certo é que o terror não deve restrito a Iraque ou Síria. Com os recursos obtidos, o EI afetou o equilíbrio de poder no conflito.

Como um grupo extremista conseguiu espaço para crescer de tal maneira?

Isso ocorreu pela incapacidade da comunidade internacional de superar divisões e levar em conta a proteção dos civis na Síria. Tivemos os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança divididos.

Vemos que estão recrutando na Europa. Qual o impacto?

É uma geração que está sendo preparada para ser uma bomba de efeito retardado. Esse pessoal vai voltar a seus países. As democracias ocidentais não trataram do problema como deveriam fazer.

Como combater o EI ?

O mais eficiente seria acabar com o conflito na Síria. O EI não existiria sem o conflito na Síria. Portanto, foi a paralisia da comunidade internacional que é responsável, permitindo que a impunidade e o extremismo se fortalecessem.

Hoje o EI é uma ameaça maior que o governo de Assad?

O EI não é novo na Síria, nem seus massacres. O que ocorre é que ele é hoje um poder expansionista que quer remover a humanidade.

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