EI crucifica 17 na Síria por não realizarem o jejum do Ramadã

ONG de monitoramento do conflito sírio diz que as pessoas foram penduradas em um 'quartel' dos jihadistas com cartazes sobre castigos que sofreriam

O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2015 | 10h11

BEIRUTE - O grupo Estado Islâmico (EI) crucificou 17 pessoas no nordeste da Síria sob a justificativa de que elas não realizavam o jejum do Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, informou nesta terça-feira, 30, à agência EFE o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdul Rahman.

O ativista disse por telefone que cinco vítimas foram assassinadas na segunda-feira na cidade de Al-Mayadin, no leste de Deir ez Zor, depois de serem penduradas no muro de um quartel da "hisba", a "polícia do EI", com um cartaz no pescoço que dizia "ficarão crucificados o dia todo e serão castigados com 70 chicotadas por romper o jejum do Ramadã". 

A ONG, que citou ativistas na região, explicou que outros 11 trabalhadores foram crucificados nesta terça-feira na cerca do mesmo quartel. Além disso, um jovem recebeu a mesma acusação e punição em um monte próximo da cidade de Basira, também em Deir ez Zor, onde foi crucificado dentro de uma jaula de ferro desde o meio-dia até o entardecer.

Os extremistas crucificaram as pessoas diante de uma multidão com a presença de alguns menores, que ainda zombaram deles. Abdul Rahman lembrou que nos últimos dias o EI vem cometendo uma série de assassinatos na província de Deir ez Zor, onde, pela primeira vez, começou a decapitar mulheres.

O OSDH informou que os jihadistas decapitaram, na segunda-feira, uma síria e seu marido, acusados de "bruxaria". O casal foi degolado com uma espada na Rua Takaia, em um dos bairros controlados pelo EI na cidade de Deir ez Zor. No domingo, outro casal foi assassinado de forma similar pela mesma acusação em Al Mayadin.

Segundo dados do OSDH divulgados na segunda-feira, pelo menos 3.027 pessoas foram assassinadas pelo EI na Síria desde a proclamação de um califado neste país e no Iraque há um ano.

Pelo menos 1.787 das pessoas assassinadas eram civis, das quais 74 crianças, 216 rebeldes ou milicianos curdos que lutam contra o EI, 881 soldados ou combatentes leais ao governo de Bashar Assad e 143 membros do grupo radical que tentaram fugir para a Turquia ou foram acusados de espionagem para outros países. /EFE

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